Sim, eu sou romântico.
Eu me orgulhava disso, mas agora um ano praticamente se passou desde ultima vez que posso dizer que esse sentimento estava em meu sistema. É estranho. Eu estava parado escutando música com meus fones, olhando tudo ao redor em sincronia com a música e o videoclip rodava na minha cabeça. Foi então que em foco apareceu um casal andares abaixo, de mãos dadas sorrindo e em seguida um beijo. Poderia ser a falta de pensamentos criativos ou a ausência de caos em minha mente, mas aquilo ativou a minha memória. Qual foi a ultima vez que busquei para mim aquilo? Aquela alegria em outra pessoa?
Acredite, não foi um pensamento piegas. Normalmente eu olho para a garota e só penso o quanto ela está errada pelo idiota que ela está beijando. Mas naquele momento eu me senti um tanto vazio. Foram incríveis 2 segundos em que me abstrai totalmente e me perguntei onde estava aquilo que admirava tanto?
Eu media o tempo, (e espero ainda fazer isso no futuro), dividia em eras por definição da mulher que morava em meus sonhos, aquela que me ajudava a escrever poesias, aquela que de olhar fazia o caminho do sangue pelo meu corpo perder o rumo por alguns instantes. Como muitas vezes antes eu disse que essa seria a ultima vez. Que não iria mais procurar por nada. Estava cansado e frustrado. Fui longe demais e a frustração agora se torno um vazio e o cansaço se modificou para uma ode de silêncio em busca de sentido. Como o fim de um relato frio e calculista de colunas policiais de um filme noir, a conclusão era a informação simples e direta.
O romance estava morto.
Olhando em alguns registros e lutando contra a memória, cheguei ao número aproximado de um ano.
Como um grande amigo meu falou; “Lembra daquela vez que você ficou 18 meses apreensivo para falar com a garota? Você era meio retardado nisso”.
Essa loucura se perdeu. E eu amava cada momento dela.
Ainda guardo comigo o remanescente de um desses momentos. Espólios de um tempo romântico, onde eu comprei os filmes que pra mim são os melhores símbolos de um encontro perfeito, Antes do Amanhecer e Antes do Por do Sol. Os filmes seriam vistos pela primeira vez em um encontro que nunca aconteceu. Eu estava chateado com aquilo, mas como ainda sentia aquele fogo, peguei durante uma madrugada o primeiro filme e o assisti sozinho.
Ao final do filme o meu romantismo estava alimentado com esperança. O mesmo romantismo que agora um ano depois se reside como um troféu triste com o segundo filme ainda na embalagem de plástico, intocável pela falta de motivo de ser apreciado.
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