30
Nov
08

Xibalba.

Inspirado no filme “Fonte da Vida”.

Sempre que a questão sobre acreditar no destino cai sobre mim, eu respondo de uma forma pragmática. “Acredito em destino, mas que ele é feito por todas as minhas escolhas. Se elas são minhas e serão feitas de qualquer jeito, isso não deixa de ser destino”.

De qualquer forma, a razão do por que ainda me pego em momentos repetidos, onde fantasmas do passado sempre aparecem quando estou certo que a terapia havia sido um sucesso, volta a me perseguir nas madrugadas acordado.

“Nada está realmente morto enquanto ainda está vivo”. A medíocre redundância da frase só ganha teores de verdade se tratando de sentimentos. Essas malditas sensações físicas de feromônios agindo no corpo com relapsos nervosos elétricos de memória e subconsciente que ativam o melhor e o pior em nós.

Eu sofri, escrevi a respeito e muitas dessas linhas estão por aqui, e ainda assim, mesmo sabendo que tudo isso vai me levar ao início do ciclo eu sinto aquele frio na espinha novamente. Como sendo o ultimo vestígio da razão abandonando o meu corpo, entrando em colapso pela gravidade. O cérebro se perde na memória daquela sensação antiga e tão familiar. A batalha da razão se torna um épico desesperado e de final trágico para o herói que por tanto tempo se manteve de pé diante de todo um exercito incontrolável de incoerentes, relapsos e fantasiosos sentimentos. No fundo ele sabia, sua luta era só um grande espetáculo, uma lenda que seria contada tempos mais tarde. De como a razão é importante. De como algo se manteve contra o inevitável.

Minha razão e a sua história são o mito que se repetirá no futuro. O que sei. Que não importa o quanto eu lute, eu sei exatamente como vai ser o meu fim.

Será uma luta como nunca houve outra. Não será um exército no meu caminho na batalha do horizonte, mas sim um divino duelo. Contra mim, a mais letal de todas as armas vai ser impiedosa em seus golpes. Mesmo sabendo do meu destino, vou reagir com todas as minhas armas. A armadura eu jogarei no chão, a batalha é pessoal demais para se apegar a subterfúgios de segurança. Serão batalhas em cada golpe e seguro de minhas habilidades montarei estratégias para que a luta dure o máximo possível. Com o passar dos dias eu estarei cansado e delirando pelo esforço, enquanto do outro lado não haverá sinais a não ser de glória. O suor em minha testa será como gotas de vidro que ficarão geladas ao ponto que me aproximo do chão pela vertigem de saber que esse é o momento. Não há mais luta.

No horizonte já enxergarei maravilhas lúdicas. Lá, sorrindo em loucura, agarrando o chão e olhando para o firmamento. Irei encarar a Morte e não perguntarei o porquê, não há contra o que lutar, é o meu destino. Eu sei que no fim, eu serei morto pela a afiada paixão e beleza de uma mulher e pelo amor que a ela dei.


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