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19
Jan
09

“Preso por todo o peso de todas as palavras que ele tenta dizer”.

Tanto que queria poder dizer e tanto mais fazer.

Não é a inabilidade que me afeta. Na verdade existem mais coisas que eu posso fazer do que textos ou palavras para demarcar. A questão é as possibilidades. Cada ação implicaria em ondas e mais ondas de reação. E lidar com isso requer uma incrível criatividade em se entender o futuro.

Eu ajo por instinto. Por mais categoricamente calculista que sou, cada ato que aplico é movido pelo momento. Minha mente é um incrível processador de possibilidades que chega a beira do curto circuito pelo fluxo de variantes. Não importa quantas vezes eu quebre a cara, a consciência nunca toma partido de decisões importantes. Sua função arbitraria é meramente de observador em todo o jogo em que se aplica sentimentos como frustrações, inércia, ansiedade, imaginação e possibilidades.

Para mim, “possibilidades” é um sentimento. Toda vez que avanço em novas direções no mais caótico plano da vida, eu traço em arquiteturais “fundos de razão” o campo das possibilidades. Como a minha ação atingira o sentido do que desejo? Ou, qual será a reação a partir de minhas palavras empregadas no fazer do momento?

É sobre o a “grande pintura”. O quadro completo de todas as reações aos meus movimentos. O criar de linhas para essas pinturas, o momento certo para cada cor e traço do destino a ser desenhado, colorido e então apreciado.

Filosoficamente falando, eu gosto de me ver, em conjunto erradico com tantas outras definições e habilidades, como um futurista. Poucas coisas me motivam mais do que o que virá logo em seguida do momento de agora. Que barreiras ou campos serão explorados dentro de cada ação de cada participante deste plano agora? Em vias mais imediatas, qual será o propósito final deste texto? Em cada palavra correndo como flashes em minha mente, eu chego a um ponto de tantas variantes das razões apresentadas a mim que vagam em uma nebulosa de estrelas em constante movimento seqüencial rasgando em luz os locais mais obscuros do nunca antes exposto.

Cada questão pertinente ao momento implica em citar aqui o que desejo. Embora que seja agora o desejo de tentar entender os momentos seguintes de atos que ainda não foram totalmente construídos ou teorizados.

É o som que corre os meus ouvidos, levando a mente o desejo de algo a muito esperado. É a vontade que mover pistões de razões há muito tempo deixadas de lado. O sentimento de querer mais. A vontade absurda de gritar por propósito. O clamar pelo desejo de agarrar os sentidos e razões que não são minhas e moldar a minha vontade. É o sonho a muito desejando ser realidade.

A crível realidade que a minha imaginação tece em uma possibilidade. O calor que corre no sangue ao colocar em teorias e imagens da imaginação o desejo em movimento, em sentido e propósito.

O preço que pode ser alto demais sendo cobrado por idéias de medo e perda de algo ainda não adquirido. O frio amargo de memórias dolorosas de batalhas perdidas. As possibilidades conflitantes do desejo. As idéias de que o errado é algo poderoso demais, o suficiente para manter o desejo em animação suspensa.

A frustração incalculável de não poder resolver todos os problemas sozinho. Que não há controle sobre as respostas que busco. A adrenalina que corre nas veias da ação de colocar os sonhos em movimento. A aflição de fazer tudo dar certo. Ver além do que está acontecendo agora e criar algo bom para o momento seguinte. Que a próxima frase tenha mais sentidos escondidos dentro de suas linhas do que as lógicas dimensionais das palavras podem transmitir mesmo em suas mais belas interpretações.

É construir momentos. É ser a ação. É poder. O poder de fazer acontecer tudo aquilo que se deseja.

A juvenil vontade de controlar e fazer o que a imaginação acredita como ser belo.

É o sonho que crio em linhas e escrevo com desejos.

O incondicional,

Amor.

Desejo.

Aflição.

Pelo amanhã.

30
Nov
08

Xibalba.

Inspirado no filme “Fonte da Vida”.

Sempre que a questão sobre acreditar no destino cai sobre mim, eu respondo de uma forma pragmática. “Acredito em destino, mas que ele é feito por todas as minhas escolhas. Se elas são minhas e serão feitas de qualquer jeito, isso não deixa de ser destino”.

De qualquer forma, a razão do por que ainda me pego em momentos repetidos, onde fantasmas do passado sempre aparecem quando estou certo que a terapia havia sido um sucesso, volta a me perseguir nas madrugadas acordado.

“Nada está realmente morto enquanto ainda está vivo”. A medíocre redundância da frase só ganha teores de verdade se tratando de sentimentos. Essas malditas sensações físicas de feromônios agindo no corpo com relapsos nervosos elétricos de memória e subconsciente que ativam o melhor e o pior em nós.

Eu sofri, escrevi a respeito e muitas dessas linhas estão por aqui, e ainda assim, mesmo sabendo que tudo isso vai me levar ao início do ciclo eu sinto aquele frio na espinha novamente. Como sendo o ultimo vestígio da razão abandonando o meu corpo, entrando em colapso pela gravidade. O cérebro se perde na memória daquela sensação antiga e tão familiar. A batalha da razão se torna um épico desesperado e de final trágico para o herói que por tanto tempo se manteve de pé diante de todo um exercito incontrolável de incoerentes, relapsos e fantasiosos sentimentos. No fundo ele sabia, sua luta era só um grande espetáculo, uma lenda que seria contada tempos mais tarde. De como a razão é importante. De como algo se manteve contra o inevitável.

Minha razão e a sua história são o mito que se repetirá no futuro. O que sei. Que não importa o quanto eu lute, eu sei exatamente como vai ser o meu fim.

Será uma luta como nunca houve outra. Não será um exército no meu caminho na batalha do horizonte, mas sim um divino duelo. Contra mim, a mais letal de todas as armas vai ser impiedosa em seus golpes. Mesmo sabendo do meu destino, vou reagir com todas as minhas armas. A armadura eu jogarei no chão, a batalha é pessoal demais para se apegar a subterfúgios de segurança. Serão batalhas em cada golpe e seguro de minhas habilidades montarei estratégias para que a luta dure o máximo possível. Com o passar dos dias eu estarei cansado e delirando pelo esforço, enquanto do outro lado não haverá sinais a não ser de glória. O suor em minha testa será como gotas de vidro que ficarão geladas ao ponto que me aproximo do chão pela vertigem de saber que esse é o momento. Não há mais luta.

No horizonte já enxergarei maravilhas lúdicas. Lá, sorrindo em loucura, agarrando o chão e olhando para o firmamento. Irei encarar a Morte e não perguntarei o porquê, não há contra o que lutar, é o meu destino. Eu sei que no fim, eu serei morto pela a afiada paixão e beleza de uma mulher e pelo amor que a ela dei.

02
Nov
08

Aniversário de um ano sóbrio.

Sim, eu sou romântico.

Eu me orgulhava disso, mas agora um ano praticamente se passou desde ultima vez que posso dizer que esse sentimento estava em meu sistema. É estranho. Eu estava parado escutando música com meus fones, olhando tudo ao redor em sincronia com a música e o videoclip rodava na minha cabeça. Foi então que em foco apareceu um casal andares abaixo, de mãos dadas sorrindo e em seguida um beijo. Poderia ser a falta de pensamentos criativos ou a ausência de caos em minha mente, mas aquilo ativou a minha memória. Qual foi a ultima vez que busquei para mim aquilo? Aquela alegria em outra pessoa?

Acredite, não foi um pensamento piegas. Normalmente eu olho para a garota e só penso o quanto ela está errada pelo idiota que ela está beijando. Mas naquele momento eu me senti um tanto vazio. Foram incríveis 2 segundos em que me abstrai totalmente e me perguntei onde estava aquilo que admirava tanto?

Eu media o tempo, (e espero ainda fazer isso no futuro), dividia em eras por definição da mulher que morava em meus sonhos, aquela que me ajudava a escrever poesias, aquela que de olhar fazia o caminho do sangue pelo meu corpo perder o rumo por alguns instantes. Como muitas vezes antes eu disse que essa seria a ultima vez. Que não iria mais procurar por nada. Estava cansado e frustrado. Fui longe demais e a frustração agora se torno um vazio e o cansaço se modificou para uma ode de silêncio em busca de sentido. Como o fim de um relato frio e calculista de colunas policiais de um filme noir, a conclusão era a informação simples e direta.

O romance estava morto.

Olhando em alguns registros e lutando contra a memória, cheguei ao número aproximado de um ano.

Como um grande amigo meu falou; “Lembra daquela vez que você ficou 18 meses apreensivo para falar com a garota? Você era meio retardado nisso”.

Essa loucura se perdeu. E eu amava cada momento dela.

Ainda guardo comigo o remanescente de um desses momentos. Espólios de um tempo romântico, onde eu comprei os filmes que pra mim são os melhores símbolos de um encontro perfeito, Antes do Amanhecer e Antes do Por do Sol. Os filmes seriam vistos pela primeira vez em um encontro que nunca aconteceu. Eu estava chateado com aquilo, mas como ainda sentia aquele fogo, peguei durante uma madrugada o primeiro filme e o assisti sozinho.

Ao final do filme o meu romantismo estava alimentado com esperança. O mesmo romantismo que agora um ano depois se reside como um troféu triste com o segundo filme ainda na embalagem de plástico, intocável pela falta de motivo de ser apreciado.

20
Jul
08

Discussão: Paixão e Amor

Esse é um post inédito. Porquê se trata de uma conversa filosófica com a minha queria Marina sobre os assuntos citados. Espero que vocês acompanhem a linha de raciocínio inédito, onde em tese, eu fiquei com a teoria lógica, o que em si já é uma loucura! Ai vai os melhores momentos:

Gabriel diz:

Paixão eu sei definir depois que ela vai embora sem virar amor. Mas realmente definir é impraticavel.

——- марина diz:

nao estou sendo poética

——- марина diz:

estou sendo analítica

——- марина diz:

me diz pra vc qual a diferença entre paixao e amor?

Gabriel diz:

Posso dizer o que é pra mim, claro que não o conceito geral,

——- марина diz:

só interessa pra vc

——- марина diz:

cada um ama de um jeito, é mto pessoal.

——- марина diz:

enfim, diga

Gabriel diz:

Paixão é quando algo me deixa fascinado. A beira de não conseguir explicar o porquê ou sentindo. Até o ter um conhecimento “total” sobre ela e algo muda, não é perda de interesse, mas é criar uma expectativa e ao mesmo tempo saber que isso é absurdo, mas ainda sim ver que aquilo não é real. Que o sentia era algo que não era totalmente certo seja qual for o motivo,

Gabriel diz:

Sendo clichê, é como amar por um motivo errado. E só depois que algo dá errado, eu vejo isso.

——- марина diz:

paixão é amar um alguém criado por nós mesmos?

——- марина diz:

é, gostei da definição

Gabriel diz:

Exato!!!!

——- марина diz:

em suma, paixão = ilusão voluntaria

Gabriel diz:

Como você faz isso? Pega tudo que eu falo e define tudo em 1 frase??? AAHAHAHHAHAHAHAHA

——- марина diz:

XDDDD pq vc ja me deu todo o paragrafo

——- марина diz:

aí fica fácil resumir

——- марина diz:

sua definição de paixão é logicamente infalível xDDD gostei

——- марина diz:

mas não gostei dela tb

——- марина diz:

ela praticamente diz que paixão é um erro

Gabriel diz:

AHAHAHAAHAHAHAHHA

Gabriel diz:

Logicamente infalível! Então eu vou salvar isso e publicar como um estudo sociológico e fazer milhões com livros de auto ajuda! AHAHAAHAHAHAHAHAAH

Gabriel diz:

Mas, brincadeiras a parte,

Gabriel diz:

Eu acredito nisso,

Gabriel diz:

Mas o quesito certo da paixão é,

Gabriel diz:

Assim que ela acontece, ela é motivada em seguida por algo maior,

Gabriel diz:

A beleza da outra pessoa se renova a cada contato,

Gabriel diz:

O querer estar perto se faz e não é um desejo somente. Você adora aquela pessoa pelos defeitos, pela forma que ela lhe desafia e lhe completa. Quando você funciona melhor com ela do que sem.

Gabriel diz:

Nisso a paixão é só um excitante prefácio para o show de verdade que é o amor.

——- марина diz:

e o que é amor?

Gabriel diz:

Ah, ai eu não eu quero colocar em palavras.

Gabriel diz:

Como você mesma disse, cada um tem o seu,

——- марина diz:

o seu é?

Gabriel diz:

E ele é melhor dito quando sentido mesmo. E agora eu estou neutro. HAHAAHHAHAHAAHAHA

——- марина diz:

pq tudo o que vc me descreveu de paixão, fora o “erro”, pra mim parece amor.

Gabriel diz:

O que é ótimo! Por que a diferença do “erro” para o “certo” é justamente a pessoa certa, isso completa o sentido de que a “paixão é só um excitante prefácio para o show de verdade que é o amor”. (gostei dessa frase, vou vender para cartões de dia dos namorados ahhahahahh)

——- марина diz:

vc percebe que ela foi completamente falaciosa a partir de um trocadilho, né?

——- марина diz:

nela vc ignorou tudo o que disse acima e falou que a diferença entre paixão e amor depende de se a outra pessoa é a certa pra vc, e nao do seu proprio sentimento

——- марина diz:

o que me parece absurdo xD

Gabriel diz:

AHAHAHAHAHAAHAHAHAHA

Gabriel diz:

Bem, pra mim amor é sempre absurdo! (clichê viu?)

——- марина diz:

chega de falácia vai xD faz sério xD

Gabriel diz:

Ok, deixa eu tentar,

Gabriel diz:

É difícil agora! Eu não estou sentindo isso por ninguém, definir o amor agora é um ato de revisitar sentimentos passados que me levaram para algo vazio depois por que deram errado.

Gabriel diz:

——- марина diz:

pra mim é simples e complexo

——- марина diz:

de maneira simplista (simplista, e nao simples)

paixao se fundamenta em desejo sexual e amor se fundamenta em carinho

——- марина diz:

mas

——- марина diz:

aprofundando apenas um pouquinho

——- марина diz:

nao existe amor sem desejo sexual nem paixao sem carinho

——- марина diz:

no fundo, por que a paixao nao pode ser um amor forte e o amor uma paixao carinhosa?

——- марина diz:

pra mim o mundo não é tão dividido em blocos

——- марина diz:

e essas duas coisas se entrelaçam demais

——- марина diz:

paixão é o que cega muito

——- марина diz:

mas tb existe amor que de alguma forma cega

——- марина diz:

e se for aprofundar ainda mais

——- марина diz:

carinho é um tipo de impulso sexual

——- марина diz:

então aí mano fudeu

——- марина diz:

xDDD

——- марина diz:

pq sua definição de paixão é logicamente infalível, e acaba com toda a minha reflexão paradoxal maneira

——- марина diz:

pra mim física quântica é um modelo, pra quando a matemática atingiu seu limite de tradução e, pra que ela continuasse a funcionar, seria necessário que ela se distoasse da própria realidade que ela traduzia

——- марина diz:

mas bom, talvez se eu estudasse física quântica eu mudasse de ideia (apesar de que meu professor de química vivia repetindo “gente, isto é apenas um modelo” então presumo que ele concordasse comigo de algum jeito)

Gabriel diz:

AHAHAHAHAAHAHAHAAH

Gabriel diz:

Mas é verdade, a física quântica é só um modelo, assim como ela se alto prega,

Gabriel diz:

Possibilidades é tudo.

——- марина diz:

xD

——- марина diz:

agora chegaaaa

——- марина diz:

eu adoro falar contigo mas eu sou um ser humano que precisa de descanso xDDD

Gabriel diz:

AHAHAHHAAUSHAUSHUASHJASHJAGSAKSASHAJSHJAHSUAHUAHSJAHU!!!!!!!!!!!!!

——- марина diz:

e que inferno meu eu nao consigo ir embora quando falo contigo seu merda

——- марина diz:

XDDDDDDD

Gabriel diz:

Nunca me descartaram por ser bom!

——- марина diz:

XDDDDDD

Gabriel diz:

Me sinto pior do que sendo ruim!HAAHAHAHAHA

——- марина diz:

SAESUIAHEUISAHEUISH OMG XDDD

——- марина diz:

enfim bjs moço o/

——- марина diz:

*sai correndo pra ele não prender mais

P.S: É uma conversa editada, mas realmente começou falando sobre paixão e amor, terminando sobre física quântica. Afinal, se você prestar bastante atenção, são assuntos bem parecidos, no final ninguém entende nada.

12
Jul
08

PercEuforia

Eu não sei como seguir daqui em diante. Verdade. Passo tempo demais pensando nisso. Meus planos estão mais do que fechados. Mas o que é isso? Idéias de a minha vontade construindo algo para mim no dia de amanhã.

Destino. Já disse várias vezes que acredito na sua força, e muitas outras que controlo o meu. Mas na verdade eu só penso no dia que ele fará sentido. Propósito.

Andamos em círculos em caixas forradas de sonhos. Busco esquecer o cenário e correr sobre o chão antes que ele desabe. Devo correr mais rápido em busca da segurança ou a adrenalina da provável fatalidade é boa demais? Eu desfiro socos em inimigos ou em fantasmas de uma vontade de ser feroz?

Cada rasgo na garganta quando grito soa doce com a força que atinjo o céu com meus desafetos para o Criador. Seus sinais e graças silenciosas não são suficientes para mim. Não. Eu quero mais!

Eu vejo ao meu redor, ouviu? Eu VEJO! Eu não fico só olhando. Eu sei onde você errou. Isso lhe deixa com raiva ou me faz um amaldiçoado?

Você está vendo agora que enquanto eu escrevo essas palavras em protesto a sua apatia, o meu sorriso chega ser até cínico. Sabe por quê? Claro que sabe.

Por que eu não ligo mais para isso.

O sorriso é tanto desprezo quanto sarcasmo por uma idéia como essa. O mero prazer de saber o quanto eu posso fazer com essas palavras, é mais capaz do que a sua ultima grande novidade.

Existência é a maior invenção depois da constatação do nada. Isso é meramente uma negativa para algo.

17
Jun
08

“Ok! Agora sim chegamos ao Inferno!”

Uma noite. Uma saga. Uma festa nas entranhas da cidade.

É de conhecimento de todos que vícios quando não são controlados podem levar uma pessoa a uma série de problemas. Todo viciado em recuperação tem como meta não cair mais em tentação e não se perder mais naquela coisa que controlava as suas vontades.

Mas quando esse vicio é algo bom? Que faz você se sentir vivo. Ele não vale a pena?

Essa teoria foi colocada a prova nesse final de semana, quando o meu vicio por festas atingiu um ponto critico, o que levou eu e a minha amiga parceira de blog, Isabela em uma saga pelas ruas da cidade em suas horas mais desertas.

Como toda grande história moderna, essa começa na internet.

Pouco mais das 21:30 da noite descubro que a festa que esperava acontecer no sábado da semana seguinte, na verdade aconteceria dentro de 3 horas. Morando de uma distância absurda do local, só restava procurar a ajuda dos amigos. Poucos estavam on line para responder. Sem ter como ir ou muito menos como voltar para casa, busco todos os recursos possíveis. Minha maquina de distorção de espaço-tempo ainda não está completa, então teletransporte estava fora de cogitação. O tempo passava e cada vez mais ficava difícil. O corpo já pedia pela sua dose. Um sábado à noite em casa é uma noite muito longa. Até que as 22:10 Isabela entra no MSN, e começo a falar dos efeitos colaterais da falta de uma dose. Do outro lado da janela do MSN Isabela joga uma luz. Um modo de voltar da festa.

Logo o céu se abre e começamos o plano para a noite. Chegar no local. Só há um modo. Ir de ônibus. Uma empreitada muito arriscada pelo horário e a provável falta de transporte nas ruas. Mas era um risco a se correr. Começo a me arrumar para a festa, óculos escuro no bolso, (em caso de ter que dormir em algum lugar e ter que voltar de dia para casa), dinheiro, documentos, celular, cigarro, isqueiro e logo estou pronto. Isabela chega e vamos para a parada mais próxima. A noite avança e as 23:30 não havia sinal de ônibus em lugar algum na rua. Sem muitas esperanças surge uma Kombi velha com o destino limitado há 1/4 do caminho. “Será?” Isabela me pergunta. “Não temos muita escolha. Vamos nessa.”

1 Mapa da festa copy

 

Só para provar, essa é a distância de onde estavamos e onde era a festa.

Dois lugares no fundo e lotado de pessoas aleatórias dos mais estranhos lugares. 20 Km por hora para que o carro não se desmanche no caminho e então chegamos no ponto de descer. Outro momento de tensão. Paramos longe da outra parada de ônibus. Andar na frente de um shopping fechado e cercado de camelôs que dormem sobre suas barracas para não serem roubados não é uma experiência que transmite segurança. Mas sem saída, andamos em busca do segundo meio para chegar à festa.

Um minuto para a meia noite. Respondo a pergunta de Isabela. Começo a duvidar se essa idéia era boa. “Como voltar para casa agora?”. Então um tiro no escuro resolve iluminar o horizonte. Um ônibus que não demonstrava ter ligação nenhuma com nossa história se mostra uma ferramenta do destino daquela noite. Felizes com o resultado, comemoramos a vitória só para saber que o inferno era o destino.

Como uma transição dimensional, o túnel nos levou para um local diferente. Carros estavam parados e o barulho era insuportável. O coletivo que estava atrás de nós se mostrou incapaz de seguir pelo nosso caminho, e perigosamente recuou da entrada do túnel para tomar outro rumo. O que poderia ter assustado o motorista de tal forma? E como um oráculo rogando avisos de cuidado para os viajantes, uma mulher ao nosso lado avisa. “Uma festa a frente cheia de bêbados está atrapalhando o transito. Vamos ficar aqui por um bom tempo”.

A profecia se cumpriu, mas desejávamos que fosse diferente. Lentamente chegamos ao local onde havia uma reunião de almas perdidas. Todas vestindo vestes amarelas. Mulheres horrendas, homens desfigurados e andando como zumbis. Uma micareta! A escória da cadeia social cercava nosso ônibus e o batia com suas mãos no vidro assustando todos no interior. Olhando para Isabela era certo, havíamos morrido em uma explosão na Kombi velha. O ônibus era só um transporte pelos portões do inferno, e havíamos chegado ao primeiro circulo, onde todos os nossos mais horrendos medos cercavam o nosso horizonte. E como bestas do inferno, os demônios se beijavam e trocavam fluidos na rua, um antro de blasfêmia e depravação que assustava a todos nós. Porém o destino ainda não havia se cumprido. O motorista havia feito um voto de honra em levar os passageiros ao seu destino, e era isso que ele faria! Esbravejando com as bestas, ele levava a passos pequenos o monstro de metal em diante para longe das criaturas que nos cercavam. E o sinal no horizonte mostrava a luz verde, ele joga o ônibus em cima das bestas, que assustadas correm. Ele acelera e passamos do bloqueio. A vitoria foi plena, mas muito tempo se perdeu. E logo o motorista apaga as luzes e segue em uma velocidade absurda para compensar o atraso. Aos trancos e sustos avançamos pelas ruas como um raio. Curvas tortuosas nos jogam para os lados e buracos nos levam ao céu. “Se não estamos mais no inferno, pelo menos vamos chegar lá bem rápido”, digo rindo para Isabela que como eu sorri nervoso. Beirando a loucura o motorista se mostra mais do que eficiente e cumpre a sua promessa. Deixa-nos mais próximo do nosso destino. Só resta agora atravessar algumas ruas desertas, passando da meia noite, em direção a festa.

Durante o caminho, acendo um cigarro e pergunto para um vigia de museu como chegar ao local. Estranhando a situação, ele nos dá as coordenadas e seguimos a pé pela noite em um cenário cheio de vida durante o dia, mas que agora lembrava um vale de sombras onde o som de pássaros, chegam a parecer um revoar de predadores com asas. Em algum tempo, achamos as luzes da praça e a igreja sendo reconstruída. Provavelmente estávamos vivos. Mais adiante acima de uma porta de uma casa velha, o nome do destino se mostrava para nós. A jornada havia chegado ao seu ponto de convergência.

Incrédulos, olhamos para o relógio. 00:48, estávamos finalmente lá.

Passamos pela portaria, descemos escadas, subimos outras, e logo a música mostra a sua origem.

Como em um sonho com rostos familiares, encontramos amigos que não esperávamos ver ali. Todos comemoram com sorrisos e braços abertos a nossa chegada no local.

Então dançamos e vimos que todo o martírio valeu à pena. O local era rústico, a iluminação sem muitos detalhes, o que dava uma idéia de ser tudo uma continuidade de uma viagem insólita em outra dimensão. Lindas garotas surgindo de um lado, homens de máscara e pinturas na cara do outro. Logo algumas das garotas beijavam outras garotas e essa cena bela se perdia ao ver dois homens se beijando. Uma constante que levou há um jogo que durou a noite inteira, chegando ao final de 5X2 para os beijos lésbicos, o que pra mim foi uma perfeita vitória e um agrado para a noite que ainda tinha mais surpresas.

Surgindo da mesa do DJ, um dos mascarados da noite pega um megafone e anuncia que o palco principal estava aberto agora. E que todos podiam ir para lá.

Como uma armadilha tramada por um demônio, todos foram levados ao palco principal, que se encontrava em um andar abaixo de um lance de escadas, cercado por saídas laterais que ficavam acima do palco. Em outras palavras, um buraco. Inadvertidos no início, todos nós dançamos ao som de músicas pulsantes. Mash ups, batidas conhecidas. Elevando a temperatura de forma considerável. Até que o Muse soa em uma batida eletrônica cantando “Supermassive Black Hole”, Era um sinal. O fogo queimava ao nosso redor. Cada pessoa era uma chama, e logo falamos um para o outro, “Agora sim! Nós chegamos ao Inferno!”

Se uma vez no Inferno, procure fazer parte do ambiente e faça amizades. Logo continuamos a dançar, beber, fumar em busca de agradar ao dono do estabelecimento. Conheço Lúcifer e o seu senso de humor, e acredito que ele gostou da festa assim como nós. Brincamos como crianças com uma bola jogando uns nos outros, depois pulamos gritando “Never do what they told ya”, balançando a cabeça e gritando na rebeldia alegórica ao sons de guitarra e bateria eletrônica. A vida escorria com o suor por toda a pista. E assim foi por um bom tempo, até que resolvemos parar. A noite estava cansativa, então fomos mais uma vez para a parte alta da festa.

Mais calma que o buraco, mas nem por isso menos viva. A música era relaxante e boa. Perfeita para acalmar as pernas e fumar um cigarro olhando algumas garotas na pista. Em meio às conversas com os amigos, figuras estranhas aparecem como sendo os fatores caóticos. Em meio a algumas músicas bizarras, Isabela foi abordada junto com um amigo por um “figura” com uma série de perguntas um tanto quanto estranhas, que levaram a questão:
-“Eu queria saber se rolava da gente fazer um mix. Então resolvi perguntar para não parecer desrespeitoso”

Ao ouvir a história assim que ela havia terminado, me juntei aos risos dos dois sobre o absurdo do momento. Inevitavelmente a festa ainda mantinha momentos estranhos como esse em sua história.

A noite chegava aos seus momentos finais, e cansados pedimos ajuda superior para poder nos levar para casa. Nos despedimos dos amigos que ainda se encontravam no local. Era hora de voltar para o mundo real. E com a carruagem de Nossa Senhora de Fátima, (ou o carro da mãe da Isabela), pegamos uma carona de volta para nossas casas. Agradeço a Isabela, a parceira no crime de uma noite que valeu cada uma das excentricidades para ter essa história de vida para contar.

De volta em casa, a noite que passou pelos mais distantes pontos das possibilidades, foi mais uma prova que alguns vícios são para a vida toda. E nem todos eles matam. Andar pelo Inferno e voltar é só uma aventura para se ter a sensação de estar vivo.

Seja no extremo que for, se for boa, naquela festa vou estar.

10
Jun
08

Lutando contra a necessidade de levantar e tomar o café.

Sons começam a fazer sentido na forma que os meus ouvidos percebem algo lá fora. Nesse instante os olhos voltam ao contexto. Pressiono as pálpebras. É, agora eu acordei.

Abro os olhos como se estivesse carregando toneladas, lentamente a luz do lado de fora não trás tanta agonia como sempre. O dia está cinza lá fora. Assim as paredes do meu quarto não refletem a luz do vilão metido a estrela que brilha lá fora. Ao tentar mudar a cabeça de sua original situação, sinto o peso. Ainda esta ali. Correndo agora por todos os cantos. O álcool da noite seguinte se mantém firme em mim.

Memórias de horas atrás na festa vem a minha cabeça. Como um flashback do LOST, tudo aparece fora de ordem e sem muita cronologia.

Vejo as conversas com os amigos antes de entrar na festa. Todas aquelas pessoas na frente e suas translúcidas trivialidades estampadas em modos, roupas e atitudes. Transpirando desejos de uma noite para serem vistos.

Olho ao redor e converso com os meus amigos. Todas as piadas internas de uma noite cheia de momentos divertidos em comentários e histórias para contar regadas as cervejas e cigarros que queimam pela noite na minha mão.

Então pisco pelo brisa fria que chega ao meu corpo. Contorcendo os braços, destilo um resido de sono que estava perdido entre algumas costelas, e o efeito me joga de volta para o sonho que foi interrompido pela realidade do acordar. Lá estava eu fugindo de uma invasão de outro planeta. As ruas estavam vazias, eram dez horas da noite e o supermercado estava deserto. Corria pelas prateleiras procurando coisas que me ajudariam a sobreviver ao impossível. Tudo estava ruindo. Que propósito o biscoito de chocolate vai ter amanhã quando não existe mais uma realidade normal lá fora? O que há lá fora?

Novamente a sensação de estar em outro lugar me atinge. Não me sinto correndo, estou deitado?

Espera, isso é o sonho de novo? Ignoro a realidade e me deixo por aqui mais um tempo? Provavelmente ainda não é 1 hora.

A luz atinge destruindo todas as imagens que corriam pelos meus olhos no supermercado assim que abro os olhos. O quarto ainda está meio escuro. Não tenho coragem para estender a mão e ver que horas são no celular. Estico os braços em busca do tremor no corpo que faz os músculos se estirarem ao ponto de jogar alguma endorfina no sangue. Sem muita resposta. A vontade de levantar perde de forma vergonhosa para os macios fios do lençol que se amarrou em mim.

Talvez essa seja a hora de levantar. Estou perdido no tempo sem saber se é cedo ou tarde para encarar a realidade de uma dia, em que tudo que eu quero é continuar sonhando com algo que não é conhecido. A frustração de saber que é domingo e nada vai acontecer a não ser a série que acompanho chega ao seu ultimo episódio. Cravo os dedos no tecido do lençol em busca da cama. Forço o corpo a se levantar e lentamente o álcool se solta e volta a minha cabeça. Sentado na cama eu sinto a tontura de que algo ainda sobrou da noite passada.

A garota de fora da cidade que você conheceu lá. Como os cachos do cabelo dela lembravam em alguma associação sem razão alguma, a cidade de onde ela vinha. Ao se despedir, propositalmente mirando a boca, fingi um acidente para conseguir sentir os lábios dela. Que em seguida sorriram de vergonha.

De volta ao agora, eu acho graça do momento. Não sei como me levo a fazer tais coisas, elas simplesmente tomam conta do momento. Como a próxima palavra surge na frente da anterior para continuar uma história. Eu estico as pernas em direção a cozinha, acordar não acontece até o momento de tomar o café.

Rezo para não ser tarde demais e que ainda tenha um pouco na cafeteira. Os passos me lembram que ainda estou com álcool o suficiente para ser no mínimo digno de nota a necessidade de se andar em linha reta. O café desce a caneca e logo o calor na boca trás a mensagem que isso é real e acordado é a próxima parada da consciência.

A festa começa a se fixar na memória, a garota entra na lista de “mulheres que me tomaram a atenção por uma noite”, e o sonho se aplica na categoria “O fim do mundo, e agora? O que eu faço? Sobrevivência em uma noite”.

05
Mai
08

Quando me perdi dentro da noite. (Where is my mind)

Tudo vai muito bem. Um plano perfeito. Passar a noite na casa de um amigo com uma galera, assistir filmes, ouvir boa música, conversar e beber. Uma boa festa. Tudo acertado. Lá vamos nós!

Cruzando a cidade do meu esconderijo com a cidade passando correndo pela janela do ônibus. A música acelera, e os ponteiros do tempo correm.

O Muse treme as cordas da guitarra com um show ao vivo pregando o apocalipse e o fim do começo, o mapa do problematique. Eu só vou adiante, no ritmo que a banda toca. Ao ponto em que o Prodigy canta Smack My Bicht Up eu já estou andando pelas ruas. As batidas e a guitarra agora são o referente das luzes e sons das ruas. A trilha sonora da vida ao redor. Não importa se tudo está correndo, em sua mente tudo está em câmera lenta, até o “POW” da música estourar nos seus ouvidos.

Encontro o amigo, entramos no carro. Parada local da festa. Casa vazia, muito álcool na geladeira. Red Vodka para começar a noite. Gelada, doce e forte. Cigarro para fazer a digestão.

Não leva muito tempo e as pessoas começam a chegar. O álcool realmente faz a união. Imagine quantas guerras seriam evitadas se todos nós só bebêssemos juntos? Não seria mais legal? Sem dúvida! Hey, mas esse sou eu falando. Álcool pra mim é coisa séria. Você tem que saber beber. Respeitar o que está tomando. No caso a cerveja cai bem.

E se bebe. Muito, diga-se de passagem. As conversas são sempre divertidas. A companhia é super agradável. Somos todos novos amigos socializando juntos o bom e velho Exorcista na TV. O demônio tomando o corpo de uma garota nunca foi tão divertido.

De repente você está conversando com a garota ao seu lado. Você está muito leve. Logo algo muda. Você não sabe o que, mas algo está apitando.

Tudo é escuro. Calma. É só os seus olhos que estão fechados. Como?

O som vem do bolso. Ao levar a mão ao celular você percebe que está deitado. E ao abrir os olhos você vê a luz tomando o quarto. Luz da manhã. O que é estranho para este horário da noite.

O que? Então se levanta e nada está como deveria. Pego o celular em busca de respostas. Somente para avisar que volto assim que descobrir como cheguei onde estou. Ao redor, várias latas de cerveja lembram que a festa foi farta. Porém o fim dela não está em minha memória. “O que aconteceu? Como eu vim parar na cama? Onde está todo mundo? Que horas são?”

Todas perguntas muito válidas. O culpado eu sei. O álcool. Bem, mas foi divertido ainda assim. Pelo o que me lembro.

Logo meu amigo entra no quarto. Ele não tem nenhuma das respostas que eu gostaria de ouvir. Pelo menos que façam sentido. Segundo ele, eu estava normal. Não fiz nada de estranho. Só parecia o que era, eu estava bêbado. Verdade, mas por que não me lembro de nada do que aconteceu. Flashs muito rasos aparecem, mas tenho quase certeza que se trata da minha imaginação tentando completar o vazio do que realmente aconteceu.

Pergunto para a namorada do meu amigo. Eu estava normal diz ela, nada além do mim. Embora que eu não respondia normalmente quando chamavam pelo meu nome.

Não fiz nada de estranho segundo meu amigo, logo isso é bom. Mas onde eu estava enquanto não era eu mesmo? Por que eu estava fazendo coisas que agora não me lembro? Era realmente eu?

Toda as tortuosas perguntas corriam por becos escuros do meu consciente. Espaços em branco de uma memória perdida em meio torpor de uma festa em que eu algo além do mais do que eu sou sozinho.

Então no dia seguinte, ainda sem respostas eu somente olho para o celular e vejo que parte da memória dele foi consumida por algo. Instigado, vasculho todos os seus recursos em busca de algo novo. Para minha surpresa, uma foto da festa. Eu tirei a foto? Aparentemente sim.

Talvez a ultima piada de minha imaginação que finalmente foi libertada por doses de álcool, tomando conta do consciente. Enfim, sonhos podem ser muito divertidos quando eles tomam o seu corpo quando você não está lá.

1 ok e

Pixies – Where is my mind  

With your feet in the air, when your head on the ground
You try this trick and spin! Yeah!
Your head will collapse, when there is nothing in it
And you ask yourself?
Where is my mind?
Where is my mind?
Where is my mind?
Where is my mind?
Way out, in the water see her swimming
I was swimming in the Caribbean
Animals were hiding behind the rocks. Yeah!
Except the little fish, but he told me east is west
They trying to crack
Where is my mind?
Where is my mind?
Where is my mind?
Where is my mind?
Way out, in the water see her swimming
With your feet in the air when your head on the ground
Try this trick and spin! Yeah!
Your head will collapse when there is nothing in it
And you ask yourself
Where is my mind?
Where is my mind?
Where is my mind?
Where is my mind?
Way out, in the water see her swimming

02
Abr
08

Idiocracy

Não sou um cara que procurou por isso, mas me orgulho da situação.

Não sou normal. Eu tenho raiva da normalidade. Não estou falando que saiu pelas ruas como um louco gritando, ou que veste roupas que chamam atenção, (ok, eu desenhei uma tatuagem tribal em uma calça jeans, mas não é nada tão diferente).

Acho que a normalidade, a padronização de um modo, de uma expressão, é a pior coisa que pode acontecer.

Eu não entendo esses “uniformes” que eu vejo esses caras usando na rua. Um boné colorido, mas basicamente branco, colar de sementes, camisas de pagodeiros, bermudas de surfista, e uma sandália ou tênis de corredor. Este é o “teleguiado” básico do gênero masculino. O feminino, tem um certo grau de particularidades, creio eu que se trata bastante do modo como elas tem mais apego ao fator estético de roupas e todos os milhares de apetrechos. Mas sempre há aquela parcela triste que copia o visual da atriz que está fazendo sucesso em tal novela.

Eu sou chato, muito chato. Gosto de sacanear com pessoas cretinas ou medíocres, mas no meu dia a dia, não tenho consideração ou me importo com eles. Mas no momento em que você começa a enxergar clones andando por todos os lados em que você anda, a sensação de paranóia toma conta de seus pensamentos.

“Ok. É hora de aceitar. O mundo está sendo invadido por alienígenas e eles estão tentando se adaptar replicado uma fonte”.

Sinceramente eu queria que fosse esse o caso. Mas acredito que a teoria do crescimento do defict do QI finalmente está entrando em sua curvatura rumo ao espaço.

Claro que não estou simplesmente me atendo para o visual dessas pessoas. Mas também para o seu conteúdo, ou melhor, a praticamente falta dele.

É como ler guia da programação da TV. Você simplesmente precisa passar pelos assuntos sobre o que está passando na Globo ou SBT. Rasos como a profundidade filosófica de um comentarista de jogo de futebol, essas pessoas são levadas acreditar que estão realmente participando de uma vida na sociedade. Ao invés de tomarem para si a consciência de que são simplesmente cobaias criadas para alimentar a sociedade. Meticulosamente sedadas pelos seus vícios. O circo que distrai o carrasco que abate um por um, de trás da cortina, enquanto todos acham que estão arrasando no palco do show do Calypso que são as suas vidas.

Eu não tenho pena dessas pessoas. Ignorância é imposta muita das vezes, mas nesse caso, foi uma escolha pensada e devidamente aceita.

Você conhece essas pessoas, semelhantes ou variações ocorrem em todas as regiões, mas todos os lugares existem aquelas pessoas que você sabe, (não seja tão católico para sentir culpa), eles são somente figurantes em um grande cenário que é este mundo.

Muitos deles até conseguem um papel de liderança. Mas até macacos conseguem resolver quebra cabeças se são treinados para isso.

10
Mar
08

A Ode to The Beauty.

Alive, posso dizer que foi o adjetivo certo para o final de semana. Inacreditavelmente estou pegando a velha forma, e novamente pude sair para uma festa. Mas antes o belo momento família, em um aniversário de criança.

Eu sei, posso ser um junkie/punk/nerd, mas eu gosto de momentos famíliares. Eu tenho uma alma… Em algum lugar.

Mas logo a noite toma gostos de uva. E o vinho esquenta o corpo preparando para uma noite em homenagem as mulheres.

E posso dizer, a festa estava bem florida. Até demais com alguns caras de vestido querendo entrar de graça na festa. Cada um com a sua loucura.

Lá dentro o álcool estava me mantendo animado o suficiente, mas como sempre, eu me deparei com aquela sensação de deslocamento. Não só eu, como todos os meus amigos. Afinal, a festa tinha várias pessoas muito “novas”, em idade e mentalidade, pode se dizer assim. Não chega a ser um preconceito, não sou altamente sociável. Longe disso, sou muito chato para pessoas. Então foi um tanto estranho ver uma garota tão indiferente quanto eu.

Sabe quando você enxerga todas as suas partes que lhe diferenciam de uma certa massa de pessoas. Não é exatamente algo visível. Simplesmente você sabe que está lá e é assim. Mas no momento que você enxerga isso em outra pessoa, isso lhe intriga.

E assim foi naquela noite.

Ela estava encostada na parede. Uma jaqueta verde se não me engano. Por algum motivo me lembrou a atriz Ellen Page no filme Juno que tanto gosto, mas não era nada parecida na fisiologia. Os olhos eram claros, o que sempre me chama atenção. Cabelos presos de um louro escuro, o que sempre me faz imaginar como seriam eles soltos, o que implica em mais momentos encarando aquela garota que me chamou a atenção com o seu olhar. Quando nos vemos em outros é sempre uma questão de “como isso é possivel?” Linda e com uma atitude que transparecia pela forma como se portava. Encostada em uma parede e constantemente dando cortes em qualquer idiota que se deixava levar simplesmente pela beleza e esqueciam a “Big Picture” e olhar um pouco mais de cuidado. Ela não queria estar ali, estava entediada. Embora a música em si, era do seu agrado, os balanços de leve e as mãos constantemente nos bolsos da jaqueta exibiam que sua vontade era de que nenhuma daquelas pessoas estivesse ali.

Ela aparentava estar acompanhada de amigos, mas pela distância deles, era claro que ela foi arrastada até ali e não fazia questão de ficar perto deles. Ela e seu mundo. Por várias vezes as janelas de nossos olhos se cruzaram. Ela percebeu que eu havia notado algo. Ela sorria de uma forma como se eu estivesse olhando para alguém que queria ficar invisível. E sorriu quando fiz um manejo com a cabeça. Tudo isso enquanto bravamente ela tentava ignorar um idiota qualquer que estava alugando a sua pouca atenção para terceiros. Em certo momento as suas negativas ganham mais ênfase, e ela mostra os dedos, não cheguei a ver, mas acredito que ela exibia um anel de compromisso. Um repelente que nos dias de hoje, e pela taxa de álcool alta em pessoas sem noção, não vem funcionando como antigamente. Aqui a minha mente aplica a lei das variáveis múltiplas. Se ela realmente estivesse namorando, seria bem difícil uma garota com aquela atitude estar ali sozinha. Probabilidades de que o cara seja um idiota, uma briga de casal ou ela simplesmente estava entediada e tentou sair para uma festa e acabou em uma roubada. Mas é claro que em se tratando da minha imaginação, eu tinha a idéia de que ela sistematicamente havia trocado o anel de um dedo para o outro dentro do bolso da jaqueta, para assim se passar por uma garota comprometida. (Sim, é o meu fator escritor elevando as conspirações inúteis à décima potência).

Mas o que eu poderia pensar? Ela era muito interessante para que acreditasse que realmente ela estava comprometida. Não que isso afetaria a minha vontade de aproximação, (não é hipocrisia, eu nunca disse que não era um dos “caras sem noção”), ela aparentava ser boa demais para não valer a tentativa.

A noite continuava e eu procurava me ocupar com a música, que em poucos momentos compensou a minha atenção. Fazia muito tempo que não escutava Go With The Flow do Queens of the Stone Age.

Quando procuro a garota, novamente cercada de idiotas. E dessa vez eram três, e acompanhados de uma amiga que demonstrava o quanto aquelas duas crianças eram “gente fina”.

Eu adoro observar os maneirismos de uma pessoa que me interessa. Calculista, examino todas as reações que a pessoa demonstra com o acontecimento em processo. A forma como o seu sorriso que transbordava sarcasmo e desprezo pelas palavras e inclinações dos idiotas que insistiam em levar um fora longo e sem chances de negociação. Os olhares para cima como buscando uma resposta pelo martírio de ter que passar por tudo aquilo. As palavras sem agressão mas sempre na negativa tendiam a mostrar uma garota sólida em sua vontade e senso de controle. Ela não está feliz com aquilo, mas sabe muito bem que são crianças com quem ela está falando, e paciência é a única saída.

Infelizmente, eu não tinha o resto da noite ao meu favor. E meu tempo estava acabando.

Nossos olhares se intensificaram. Ela parecia ver que eu estava vendo o seu sofrimento. Agora seus amigos estavam ao meio dos idiotas que a cortejavam. Aquilo parecia não ter fim. E o fim da noite havia chegado para mim. Mas eu precisava trocar algumas palavras com ela. Educação e consideração com as pessoas ao redor foram por água abaixo, então atravessei o cordão de pessoas inconvenientes para ser o inconveniente certo para o momento. Ela me recebe com surpresa e um sorriso. Logo recebo uma cotovelada da criança com cara de virgem de comédia romântica de quinta categoria.

“Oi. Eu sei que isso vai soar incrivelmente clichê, mas eu queria conversar com você. Só conversar, será que seria possível?”

Olhares de ódio agora cravejavam o meu corpo na espera de que ele simplesmente pegasse fogo em nome do ódio transmitido.

Ela olha para uma amiga que segurava um dos idiotas. Pode ter sido a pequena comoção ao redor com os amigos, o provável namorado abandonado ou sem idéia do acontecimento, mas ela educadamente disse: “Desculpa, agora não vai dar mesmo”. Aqueles olhos que eu havia passado à noite á aprender a ler demonstravam certa sinceridade. Eu tomei a palavra como verdade e simplesmente falei que “então fica para uma próxima vez”. O belo sorriso e a afirmativa eram receptivos, novamente em minha imaginação, ela até acreditava que esta próxima vez aconteça em um futuro próximo. Assim como eu espero poder concretizar tal promessa.

A noite na festa termina e eu busco não esquecer aquele belo rosto e poder finalmente conversar e descobrir mais sobre aquela bela garota, que tomou minha atenção no meio de tantas outras que ali estavam.

Eu sou um grande fá das mulheres, e como disse antes aqui, de todas que valem à pena. As belas e inteligentes. Nem todas podem ser belas, mas a inteligência é fundamental.

E em minha busca por aquela que vá fazer da minha jornada por esta terra mais agradável, eu vou em busca da THE ONE, aquela que no meio de tantas belezas e intrigantes personalidades, possa me redimir ao mero papel de homem adorador de sua existência.

To all the beauties and goddess, I cherish you all! Feliz dia das mulheres!

P.S: Eu espero que você já tenha feito em sua cabeça que parte deste texto foi arquitetado para lembrar uma cena em particular do filme Transppotting.

Se isso não ocorreu, eu espero que para o seu bem, você não se lembre da cena, mas assistiu o filme.




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