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20
Mai
08

It’s All about the Blues – Happy Birthday! You’re Drunk at the Moon.

O dia chegou. Bem, são 3 da manhã, então eu me apego as coisas boas da noite.

Faço 25 anos agora. E como toda madrugada boa de celebração semi-solitária na frente do computador escrevendo, eu me dissipo da realidade seguindo para o meu lugar favorito. Charlie’s Bar.

Eu me visto de forma impecável. Bom e velho terno preto, o chapéu Fedora tendendo para o cinza, a gravata da cor de cinzas, no bolso o cigarro escapa para a mão e junto com o fogo levado a boca, eu peço ao velho Billy no bar para me ver a primeira dose da noite.

O meu velho amigo Tom está no palco contando uma história de como passou uma noite até o amanhecer, sem parar, em uma grande jam session com a banda. Ele se divertiu tanto que tudo foi perfeito. Até que a sua mulher apareceu no meio da platéia, ela tinha lagrimas nos olhos por que estava preocupada. Sem saber onde ele estava ela havia corrido até o bar onde fazia o show. Triste, Tom fez a promessa que nunca mais tocaria novamente. Antes de continuar com juras de amor, a mulher lhe deu um tapa na cara, e disse para ele nunca mais brincar com uma coisa dessas. E em seguida pediu para ele tocar mais uma música para ela.

E foi assim que ele tocou músicas de amor para uma vida inteira, até a noite seguinte.

As damas ficam derretidas com os olhares fitando aquele velho galanteador por alguns segundos, suspirando. Até que ele diz:

- Isso até ela me deixar por aquele desgraçado de chapéu ali no bar!

Todos viram olhando para mim como se fossem arrancar a minha cabeça com os cinzeiros de aço em cima da mesa. Mas Tom continua:

- Mas como era o aniversário dele, eu acho que ele ganhou um presente de grego cheio de espinhos. Por que aquela mulher acabou com a minha vida! Senhoras e senhores, hoje é o aniversário do meu amigo, então ladies, façam o garoto feliz e dêem a ele um beijo de aniversário.

Logo os olhares de ódio se tornam sorrisos e Dorithy, Jenny, Candy, Cindy e Melany vem ao meu encontro fechando o meu rosto com o batom vermelho de suas bocas afiadas.

Eu levanto o meu copo para o Tom a música volta a tocar.

- É por conta da casa.

Charlie me dá o presente perfeito para a noite, um whisky que estava na estante do bar desde o dia em que ele abriu. Pego o meu copo e Candy me chama para a minha mesa de frente para o bar.

No guardanapo ela escreve “Não saia daqui sem o meu presente”, mais um beijo e sei que ela vai cumprir a promessa que me fez dizendo que ia fazer o céu ser tremer por mim se eu desse uma chance. Uma diabinha daquelas não brinca quando diz uma coisa dessas. Eu espero o presente ao final da noite, um presente já está garantido.

É a noite do Nighthawks At The Diner, e Tom está inspirado. A voz ecoa pelo salão cantando melodias que soam como os poemas das noites frias de New Orleans. Cada música conta uma história, e cada história soa familiar para todos ali. As palmas e os risos são constantes. É uma linda história vivida e contada pelo velho Tom, com a voz rasgada e entre goles no whisky.

Eu viajo fundo em boas lembranças da vida que passei. Que vivo há tanto tempo e ainda busco a boa felicidade em momentos que eu espero guardar como boas músicas. Histórias para guardar para onde o sempre me levar.

Na mesa, eu revivo muitas coisas, e claro, sempre uma ou outra garota surge para colorir as canções de amor, esperanças e desilusões. Aquela, a The One, ainda está por aparecer. È, esse presente ainda não chegou e estou esperando a promessa do destino dos justos, quando tudo aquilo que eu mereço vai bater na minha porta e dizer: “Face it tiger. You hit the Jackpott”. Pode ser Candy ou outra garota que ainda não conheço, mas até lá, Fumblin’ With the Blues.

Tom me chama para o palco falando que essa eu sei melhor do que ele. Não é exagero, a música é o quase o meu retrato, logo eu assumo o piado do Jimmy. A nuvem de nicotina que surge do meu cigarro e a luz jogada no meu rosto ajuda na hora de fingir que não existe ninguém na platéia.

A música corre pelas notas e eu me divirto como nunca cantando com Tom uma vida levada em meio à dead ends, mas sempre buscando uma janela para pular para a fuga perfeita. Acertando as teclas em sintonia com o contrabaixo. Fecho os olhos para sentir a música, mas não é necessário. Eu estou vivendo ela agora. Doce, cheia de torpor pelo álcool, com um a fumaça do cigarro fazendo a neblina para dar o clima de suspense, mas seguindo em frente na rua pelo greyhound bus, cantando um Blues pelas noites e apreciando tudo que tenho e desejando cada vez mais. “Querer tudo não é ganância, só uma visão sincera do que eu mereço”.

E a noite segue assim, eu no piano, Tom cantando e contando as histórias que todos adoram. Os sorrisos são verdadeiros. A diversão e a música só estão aquecendo a noite. Aquela festa onde os amigos estão nas mesas da frente e a bebida nunca acaba e as mulheres são todas belas. Ofereço uma música para Candy, o presente está garantido no final da noite, e ela merece um agrado. Adoro ver aquela garota sorrindo. Ela me manda um beijo e eu já sinto o perfume dela que vai ficar em mim por muitos dias.

E nós tocamos. Tom fala das estrelas de Los Angeles e como a cidade apaga o céu e ele espera que um dia essas luzes se apaguem. “The Angels need more light”, eu improviso e a história segue a diante, e vai sem parar até que a noite vai chegando ao seu fim.

Cada um dos amigos vai se despedindo, a festa foi realmente muito boa. Tom resiste mas termina a noite. Ele agradece os presentes e deseja a todos uma boa noite. Candy pega o meu paletó e vestida de vermelho me agarra pelo braço.

Agradeço a Tom pela noite, e como sempre ele fala:

- See you tomorrow night kid.

Eu aceno com a certeza e desço a rua com Candy ao meu lado, cantarolando a 7° do primeiro disco sabendo que novamente tenho um ano para agradecer e muitos mais para coletar. E como sempre…

Fumblin’ with the blues

Tom Waits

Friday left me fumblin’ with the blues
And it’s hard to win when you always lose
Because the nightspots spend your spirit
Beat your head against the wall
Two dead ends and you’ve still got to choose
You know the bartenders
They all know my name
And they catch me when I’m pulling up lame
And I’m a pool-shooting-shimmy-shyster shaking my head
When I should be living clean instead
You know the ladies I’ve been seeing off and on
Well they spend your love and then they’re gone
You can’t be lovin’ someone who is savage and cruel
Take your love and then they leave on out of town
No they do
Well now fallin’ in love is such a breeze
But its standin’ up that’s so hard for me
I wanna squeeze you but I’m scared to death I’d break your back
You know your perfume
Well it won’t let me be
You know the bartenders all know my name
And they catch me when I’m pulling up lame
And I’m a pool-shooting-shimmy-shyster shaking my head
When I should be living clean instead
Come on baby
Let your love light shine
Gotta bury me inside of your fire
Because your eyes are ‘nough to blind me
You’re like a-looking at the sun
You gotta whisper tell me I’m the one
Come on and whisper tell me I’m the one
Gotta whisper tell me I’m the one
Come on and whisper tell me I’m the one

Tom Waits 277758

05
Mai
08

Quando me perdi dentro da noite. (Where is my mind)

Tudo vai muito bem. Um plano perfeito. Passar a noite na casa de um amigo com uma galera, assistir filmes, ouvir boa música, conversar e beber. Uma boa festa. Tudo acertado. Lá vamos nós!

Cruzando a cidade do meu esconderijo com a cidade passando correndo pela janela do ônibus. A música acelera, e os ponteiros do tempo correm.

O Muse treme as cordas da guitarra com um show ao vivo pregando o apocalipse e o fim do começo, o mapa do problematique. Eu só vou adiante, no ritmo que a banda toca. Ao ponto em que o Prodigy canta Smack My Bicht Up eu já estou andando pelas ruas. As batidas e a guitarra agora são o referente das luzes e sons das ruas. A trilha sonora da vida ao redor. Não importa se tudo está correndo, em sua mente tudo está em câmera lenta, até o “POW” da música estourar nos seus ouvidos.

Encontro o amigo, entramos no carro. Parada local da festa. Casa vazia, muito álcool na geladeira. Red Vodka para começar a noite. Gelada, doce e forte. Cigarro para fazer a digestão.

Não leva muito tempo e as pessoas começam a chegar. O álcool realmente faz a união. Imagine quantas guerras seriam evitadas se todos nós só bebêssemos juntos? Não seria mais legal? Sem dúvida! Hey, mas esse sou eu falando. Álcool pra mim é coisa séria. Você tem que saber beber. Respeitar o que está tomando. No caso a cerveja cai bem.

E se bebe. Muito, diga-se de passagem. As conversas são sempre divertidas. A companhia é super agradável. Somos todos novos amigos socializando juntos o bom e velho Exorcista na TV. O demônio tomando o corpo de uma garota nunca foi tão divertido.

De repente você está conversando com a garota ao seu lado. Você está muito leve. Logo algo muda. Você não sabe o que, mas algo está apitando.

Tudo é escuro. Calma. É só os seus olhos que estão fechados. Como?

O som vem do bolso. Ao levar a mão ao celular você percebe que está deitado. E ao abrir os olhos você vê a luz tomando o quarto. Luz da manhã. O que é estranho para este horário da noite.

O que? Então se levanta e nada está como deveria. Pego o celular em busca de respostas. Somente para avisar que volto assim que descobrir como cheguei onde estou. Ao redor, várias latas de cerveja lembram que a festa foi farta. Porém o fim dela não está em minha memória. “O que aconteceu? Como eu vim parar na cama? Onde está todo mundo? Que horas são?”

Todas perguntas muito válidas. O culpado eu sei. O álcool. Bem, mas foi divertido ainda assim. Pelo o que me lembro.

Logo meu amigo entra no quarto. Ele não tem nenhuma das respostas que eu gostaria de ouvir. Pelo menos que façam sentido. Segundo ele, eu estava normal. Não fiz nada de estranho. Só parecia o que era, eu estava bêbado. Verdade, mas por que não me lembro de nada do que aconteceu. Flashs muito rasos aparecem, mas tenho quase certeza que se trata da minha imaginação tentando completar o vazio do que realmente aconteceu.

Pergunto para a namorada do meu amigo. Eu estava normal diz ela, nada além do mim. Embora que eu não respondia normalmente quando chamavam pelo meu nome.

Não fiz nada de estranho segundo meu amigo, logo isso é bom. Mas onde eu estava enquanto não era eu mesmo? Por que eu estava fazendo coisas que agora não me lembro? Era realmente eu?

Toda as tortuosas perguntas corriam por becos escuros do meu consciente. Espaços em branco de uma memória perdida em meio torpor de uma festa em que eu algo além do mais do que eu sou sozinho.

Então no dia seguinte, ainda sem respostas eu somente olho para o celular e vejo que parte da memória dele foi consumida por algo. Instigado, vasculho todos os seus recursos em busca de algo novo. Para minha surpresa, uma foto da festa. Eu tirei a foto? Aparentemente sim.

Talvez a ultima piada de minha imaginação que finalmente foi libertada por doses de álcool, tomando conta do consciente. Enfim, sonhos podem ser muito divertidos quando eles tomam o seu corpo quando você não está lá.

1 ok e

Pixies – Where is my mind  

With your feet in the air, when your head on the ground
You try this trick and spin! Yeah!
Your head will collapse, when there is nothing in it
And you ask yourself?
Where is my mind?
Where is my mind?
Where is my mind?
Where is my mind?
Way out, in the water see her swimming
I was swimming in the Caribbean
Animals were hiding behind the rocks. Yeah!
Except the little fish, but he told me east is west
They trying to crack
Where is my mind?
Where is my mind?
Where is my mind?
Where is my mind?
Way out, in the water see her swimming
With your feet in the air when your head on the ground
Try this trick and spin! Yeah!
Your head will collapse when there is nothing in it
And you ask yourself
Where is my mind?
Where is my mind?
Where is my mind?
Where is my mind?
Way out, in the water see her swimming

04
Abr
08

Criando Noites.

Quando as partículas de poeiras são um show em câmera lenta, dançando em frente uma luz branca forte de um holofote, você sabe que a sua cabeça está flutuando em outro lugar, qualquer lugar, menos no agora.

Eu raramente estou onde deveria. Quando estou parado, pode acreditar, não estou ali. Já perdi longas histórias, poemas e músicas em momentos críticos de poucos segundos onde a mente se desliga de onde estou e se esvai para outro lugar.

O corpo reage ao que acontecem com as coisas ao redor, não interage. Vagueio em meio ao que acho ser um linha de pensamento. É como imaginar um raio de luz do ponto de vista do observador. Você está dentro ou fora da luz?

As mãos costumam procurar papel e caneta. Se tiver muita sorte, estou no meio de um texto. Mas quase nunca é assim. A força, essa “luz” sempre vem quando menos se espera.

Com uma caneta na mão eu me perco. A sensação é de desespero.

Como eu vou escrever tão rápido enquanto penso? No teclado, é muito mais fácil. Posso errar que o backspace e o delete são meus amigos para esquecer e concertar erros. Mas com o papel e caneta na mão, a lentidão e os erros são o delete de algo muito bom, que nunca pode vir a se repetir.

Não existe muito tempo. As palavras vem, as imagens surgem. Rimas são raras em meio o que tudo se encaixa para criar uma dança lógica escrita no âmago do caos.

“Ela corre. Seus passos são ouvidos pelos estalos ao encontro com a água da chuva que cobre o piso de cimento imperfeito…”.

A imagem se desloca em meus dedos, não tenho tempo para parar. É vivido. Eu estou lá, vendo tudo, criando cada passo em minha mente e desenhando o traçado mal feito do chão em qual ela corre. A sua respiração é a fôlego que tomo a cada linha terminada. A aflição guia as linhas que tomam a forma do que eu desenho e desejo. O medo que a garota sente, no fundo é a cria do meu próprio universo. Ela foge de mim, o escritor que calculou toda a sua existência em linhas cheias de significados calorosos por humanidade, sendo uma mera vitima da minha vontade de contar a história de como ela chegou em uma situação de perigo.

Eu sou o criador, e o destruidor. O medo e o assassino que busca por ela. Assim como cada dedilhar de minhas idéias são mostradas no papel na forma de mostrar que existe uma esperança. Afinal o suspense é movido pela expectativa de que no final, tudo vai ficar bem. Mesmo que estejamos nos deliciando com a aflição no momento de pavor que monta em nossos olhos e mentes ao consumir esse tipo de histórias.

É tudo tão claro em seus detalhes que chega ser mais que um filme. Eu me encontro em meu mundo. Meus pensamentos são formados em cada detalhe. Materializando cada momento de tensão descrito. A aflição da garota cresce junto com a proximidade do assassino. Ela sabe que morrer nas mãos dele é não será a única coisa. Ele é diferente. Um monstro de histórias para dormir. Histórias antigas.

Nesse momento, quando a ameaça é estabelecida e a garota está cada vez mais presa no labirinto em que entrou. O herói emerge em meio ao conflito.

Suas razões não são nobres, a sua culpa foi detalhadamente criada por séculos de más condutas e atos inimagináveis. Pelo menos para o leitor. Afinal, ao escrever cada ação do “herói” levo em consideração cada detalhe do passado negro que se oculta em seus recentes atos. Meus “heróis” são extensões minhas. Cheios de falhas, que moldam o que viria a ser os seus atos em busca de redenção consigo mesmo. Meus arrependimentos do passado, coisas que não fiz, não tive coragem, normalmente voltam para me atormentar. Em meus “heróis” o passado é a bala que se aproxima em câmera lenta. A definição de que o fim está se aproximando, e que algo precisa ser feito para ele seja parado.

Novamente, eu estou ali. Eu sou o herói. Ou o que pode salvar a garota, assim como acabar com ela ao mesmo tempo.

Tudo acontece em segundos, os detalhes são as linhas que correm pela minha frente. Eu não posso parar, não olho para a minha mão. Simplesmente ela transmite aquilo que eu desejo. Em minha mente, o assassino e o herói são os lados desenvolvidos pelo meu consciente em busca do momento em que tudo se colide. A vida da garota, a motivação do assassino e a culpa do herói.

Seja o que for, onde for. A história me toma. Eu não estou ali. Meu mundo se fecha em prédios altos das minhas histórias. Em delírios absurdos de pensamentos avulsos, de líricas declarações de sentimentos cultivados, em pensamentos de desejos fortes ou em deleites de uma imaginação fértil. Naquele espaço onde o tempo não existe, o corpo não se prega as barreiras do aqui e agora. Eu sonho em meio aos meus pensamentos e devaneios.

Os belos sonhos. Em que as noites são eternas e onde eu crio cada uma delas.

P.S: Isso é um relato da experiência de escrever em meu livro de ficção/fantasia.

02
Abr
08

Idiocracy

Não sou um cara que procurou por isso, mas me orgulho da situação.

Não sou normal. Eu tenho raiva da normalidade. Não estou falando que saiu pelas ruas como um louco gritando, ou que veste roupas que chamam atenção, (ok, eu desenhei uma tatuagem tribal em uma calça jeans, mas não é nada tão diferente).

Acho que a normalidade, a padronização de um modo, de uma expressão, é a pior coisa que pode acontecer.

Eu não entendo esses “uniformes” que eu vejo esses caras usando na rua. Um boné colorido, mas basicamente branco, colar de sementes, camisas de pagodeiros, bermudas de surfista, e uma sandália ou tênis de corredor. Este é o “teleguiado” básico do gênero masculino. O feminino, tem um certo grau de particularidades, creio eu que se trata bastante do modo como elas tem mais apego ao fator estético de roupas e todos os milhares de apetrechos. Mas sempre há aquela parcela triste que copia o visual da atriz que está fazendo sucesso em tal novela.

Eu sou chato, muito chato. Gosto de sacanear com pessoas cretinas ou medíocres, mas no meu dia a dia, não tenho consideração ou me importo com eles. Mas no momento em que você começa a enxergar clones andando por todos os lados em que você anda, a sensação de paranóia toma conta de seus pensamentos.

“Ok. É hora de aceitar. O mundo está sendo invadido por alienígenas e eles estão tentando se adaptar replicado uma fonte”.

Sinceramente eu queria que fosse esse o caso. Mas acredito que a teoria do crescimento do defict do QI finalmente está entrando em sua curvatura rumo ao espaço.

Claro que não estou simplesmente me atendo para o visual dessas pessoas. Mas também para o seu conteúdo, ou melhor, a praticamente falta dele.

É como ler guia da programação da TV. Você simplesmente precisa passar pelos assuntos sobre o que está passando na Globo ou SBT. Rasos como a profundidade filosófica de um comentarista de jogo de futebol, essas pessoas são levadas acreditar que estão realmente participando de uma vida na sociedade. Ao invés de tomarem para si a consciência de que são simplesmente cobaias criadas para alimentar a sociedade. Meticulosamente sedadas pelos seus vícios. O circo que distrai o carrasco que abate um por um, de trás da cortina, enquanto todos acham que estão arrasando no palco do show do Calypso que são as suas vidas.

Eu não tenho pena dessas pessoas. Ignorância é imposta muita das vezes, mas nesse caso, foi uma escolha pensada e devidamente aceita.

Você conhece essas pessoas, semelhantes ou variações ocorrem em todas as regiões, mas todos os lugares existem aquelas pessoas que você sabe, (não seja tão católico para sentir culpa), eles são somente figurantes em um grande cenário que é este mundo.

Muitos deles até conseguem um papel de liderança. Mas até macacos conseguem resolver quebra cabeças se são treinados para isso.

10
Mar
08

A Ode to The Beauty.

Alive, posso dizer que foi o adjetivo certo para o final de semana. Inacreditavelmente estou pegando a velha forma, e novamente pude sair para uma festa. Mas antes o belo momento família, em um aniversário de criança.

Eu sei, posso ser um junkie/punk/nerd, mas eu gosto de momentos famíliares. Eu tenho uma alma… Em algum lugar.

Mas logo a noite toma gostos de uva. E o vinho esquenta o corpo preparando para uma noite em homenagem as mulheres.

E posso dizer, a festa estava bem florida. Até demais com alguns caras de vestido querendo entrar de graça na festa. Cada um com a sua loucura.

Lá dentro o álcool estava me mantendo animado o suficiente, mas como sempre, eu me deparei com aquela sensação de deslocamento. Não só eu, como todos os meus amigos. Afinal, a festa tinha várias pessoas muito “novas”, em idade e mentalidade, pode se dizer assim. Não chega a ser um preconceito, não sou altamente sociável. Longe disso, sou muito chato para pessoas. Então foi um tanto estranho ver uma garota tão indiferente quanto eu.

Sabe quando você enxerga todas as suas partes que lhe diferenciam de uma certa massa de pessoas. Não é exatamente algo visível. Simplesmente você sabe que está lá e é assim. Mas no momento que você enxerga isso em outra pessoa, isso lhe intriga.

E assim foi naquela noite.

Ela estava encostada na parede. Uma jaqueta verde se não me engano. Por algum motivo me lembrou a atriz Ellen Page no filme Juno que tanto gosto, mas não era nada parecida na fisiologia. Os olhos eram claros, o que sempre me chama atenção. Cabelos presos de um louro escuro, o que sempre me faz imaginar como seriam eles soltos, o que implica em mais momentos encarando aquela garota que me chamou a atenção com o seu olhar. Quando nos vemos em outros é sempre uma questão de “como isso é possivel?” Linda e com uma atitude que transparecia pela forma como se portava. Encostada em uma parede e constantemente dando cortes em qualquer idiota que se deixava levar simplesmente pela beleza e esqueciam a “Big Picture” e olhar um pouco mais de cuidado. Ela não queria estar ali, estava entediada. Embora a música em si, era do seu agrado, os balanços de leve e as mãos constantemente nos bolsos da jaqueta exibiam que sua vontade era de que nenhuma daquelas pessoas estivesse ali.

Ela aparentava estar acompanhada de amigos, mas pela distância deles, era claro que ela foi arrastada até ali e não fazia questão de ficar perto deles. Ela e seu mundo. Por várias vezes as janelas de nossos olhos se cruzaram. Ela percebeu que eu havia notado algo. Ela sorria de uma forma como se eu estivesse olhando para alguém que queria ficar invisível. E sorriu quando fiz um manejo com a cabeça. Tudo isso enquanto bravamente ela tentava ignorar um idiota qualquer que estava alugando a sua pouca atenção para terceiros. Em certo momento as suas negativas ganham mais ênfase, e ela mostra os dedos, não cheguei a ver, mas acredito que ela exibia um anel de compromisso. Um repelente que nos dias de hoje, e pela taxa de álcool alta em pessoas sem noção, não vem funcionando como antigamente. Aqui a minha mente aplica a lei das variáveis múltiplas. Se ela realmente estivesse namorando, seria bem difícil uma garota com aquela atitude estar ali sozinha. Probabilidades de que o cara seja um idiota, uma briga de casal ou ela simplesmente estava entediada e tentou sair para uma festa e acabou em uma roubada. Mas é claro que em se tratando da minha imaginação, eu tinha a idéia de que ela sistematicamente havia trocado o anel de um dedo para o outro dentro do bolso da jaqueta, para assim se passar por uma garota comprometida. (Sim, é o meu fator escritor elevando as conspirações inúteis à décima potência).

Mas o que eu poderia pensar? Ela era muito interessante para que acreditasse que realmente ela estava comprometida. Não que isso afetaria a minha vontade de aproximação, (não é hipocrisia, eu nunca disse que não era um dos “caras sem noção”), ela aparentava ser boa demais para não valer a tentativa.

A noite continuava e eu procurava me ocupar com a música, que em poucos momentos compensou a minha atenção. Fazia muito tempo que não escutava Go With The Flow do Queens of the Stone Age.

Quando procuro a garota, novamente cercada de idiotas. E dessa vez eram três, e acompanhados de uma amiga que demonstrava o quanto aquelas duas crianças eram “gente fina”.

Eu adoro observar os maneirismos de uma pessoa que me interessa. Calculista, examino todas as reações que a pessoa demonstra com o acontecimento em processo. A forma como o seu sorriso que transbordava sarcasmo e desprezo pelas palavras e inclinações dos idiotas que insistiam em levar um fora longo e sem chances de negociação. Os olhares para cima como buscando uma resposta pelo martírio de ter que passar por tudo aquilo. As palavras sem agressão mas sempre na negativa tendiam a mostrar uma garota sólida em sua vontade e senso de controle. Ela não está feliz com aquilo, mas sabe muito bem que são crianças com quem ela está falando, e paciência é a única saída.

Infelizmente, eu não tinha o resto da noite ao meu favor. E meu tempo estava acabando.

Nossos olhares se intensificaram. Ela parecia ver que eu estava vendo o seu sofrimento. Agora seus amigos estavam ao meio dos idiotas que a cortejavam. Aquilo parecia não ter fim. E o fim da noite havia chegado para mim. Mas eu precisava trocar algumas palavras com ela. Educação e consideração com as pessoas ao redor foram por água abaixo, então atravessei o cordão de pessoas inconvenientes para ser o inconveniente certo para o momento. Ela me recebe com surpresa e um sorriso. Logo recebo uma cotovelada da criança com cara de virgem de comédia romântica de quinta categoria.

“Oi. Eu sei que isso vai soar incrivelmente clichê, mas eu queria conversar com você. Só conversar, será que seria possível?”

Olhares de ódio agora cravejavam o meu corpo na espera de que ele simplesmente pegasse fogo em nome do ódio transmitido.

Ela olha para uma amiga que segurava um dos idiotas. Pode ter sido a pequena comoção ao redor com os amigos, o provável namorado abandonado ou sem idéia do acontecimento, mas ela educadamente disse: “Desculpa, agora não vai dar mesmo”. Aqueles olhos que eu havia passado à noite á aprender a ler demonstravam certa sinceridade. Eu tomei a palavra como verdade e simplesmente falei que “então fica para uma próxima vez”. O belo sorriso e a afirmativa eram receptivos, novamente em minha imaginação, ela até acreditava que esta próxima vez aconteça em um futuro próximo. Assim como eu espero poder concretizar tal promessa.

A noite na festa termina e eu busco não esquecer aquele belo rosto e poder finalmente conversar e descobrir mais sobre aquela bela garota, que tomou minha atenção no meio de tantas outras que ali estavam.

Eu sou um grande fá das mulheres, e como disse antes aqui, de todas que valem à pena. As belas e inteligentes. Nem todas podem ser belas, mas a inteligência é fundamental.

E em minha busca por aquela que vá fazer da minha jornada por esta terra mais agradável, eu vou em busca da THE ONE, aquela que no meio de tantas belezas e intrigantes personalidades, possa me redimir ao mero papel de homem adorador de sua existência.

To all the beauties and goddess, I cherish you all! Feliz dia das mulheres!

P.S: Eu espero que você já tenha feito em sua cabeça que parte deste texto foi arquitetado para lembrar uma cena em particular do filme Transppotting.

Se isso não ocorreu, eu espero que para o seu bem, você não se lembre da cena, mas assistiu o filme.

06
Mar
08

I’m Afraid of Sobers!

Finalmente!

Eu já estava me sentindo um religioso. Mais de dois meses sem ir para uma festa de verdade.

O álcool estava se tornando só mais uma lembrança das drogas que já passaram pelo meu corpo. Então eis que no dia 1° de março acontece uma festa. E vergonhosamente eu devo dizer. Nessa festa, as pessoas sóbrias me assustaram.

Era uma festa a fantasia, muito atrasada para o carnaval, mas está valendo. Afinal não é todo dia que eu consigo uma fantasia de fugitivo da rehab, então eu precisava ir a caráter.

Como era de se esperar, poucas pessoas se tocaram da fantasia em si, (ficaram me confundindo com fantasia de gari, mas tudo bem), mas não tirou em nada a diversão da noite. (Sim, eu subi no caminhão de lixo que passou na frente da festa, e sim, eu estava bêbado).

Fazia parte da noite e da fantasia, então logo eu bebi. E por Baco! Uma cerveja nunca foi tão doce! Era como se estivesse voltando a andar, depois de meses em uma cadeira de rodas. Como diria meus amigos escoceses, “meu fígado é um músculo”, e como ele precisava se exercitar!

No primeiro copo era: “Hey you! I remember you! Welcome back my friend”.

Em seguida foi à alegria chegando junto com os amigos. Pessoas com fantasias bizarras e todo tipo de figuras que não colocava o olho fazia meses estavam por lá.

Entrando, minutos depois toca a uma das minhas músicas favoritas. Sendo um junkie de classe, não faço feio quando me empolgo com uma música, (new born – Muse).

Ao fim das ultimas notas de guitarra eu sabia, meu corpo vai estar estragado no dia seguinte. Mas seguindo em frente. Outro copo, mais músicas e a diversão é plena.

Eu canto, pulo, berro e pergunto “How the things on the west cost?” com o Interpol. Vibro “Everlong” com Foo Fighters and I wonder

Elas, belas mulheres. Ah que belas! Novas faces, algumas que não encontrava há tempos e outras que como sempre, o desejo é grande, mas a possibilidade é improvável demais. Um dia desses, uma das belas mulheres me disse que eu não sabia o que eu queria. Longe de ser verdade! O que eu quero não posso, logo quero todo o resto.

Estava começando a ficar tarde, e logo as partes ruins de festas assim se manifestaram. Não sei se foi o caso do álcool, mas acredito que dois caras foram de sunga e pranchas de surf para festa. Soa até engraçado, mas não era.

Então quando eu me viro para o lado e vejo casais indies trocando beijos… Assim como parceiros! Eu começo a acreditar que a minha bebida não é tão forte quando deveria. Que tipo de água aquelas pessoas estavam tomando? Espera. Um deles nem bebe que eu sei! What fuck is wrong with the world?

Naquela noite, (por mais que tenha visto muita coisa em festas muito mais junkies do que essa), vi que é sempre bom nunca subestimar mulheres que querem lhe instigar e fazer o seu queixo cair.

Não importa a quantidade de cigarros ou litros de álcool no corpo. Existem coisas que as mulheres fazem só para lhe deixar sem ação e rir de você enquanto você se pergunta, “onde diabos eu vim parar, e como é que isso foi acontecer?”

Novamente ao chegar em casa, só puder olhar para o céu e agradecer, não a Deus, por que se ele for o responsável por essa noite, o mundo está além do seu fim, se perdeu de vez e Lúcifer está dando as cartas. Mas sim a momentos como essa noite, onde amigos, álcool, música e belas mulheres fazem a receita para me lembrar que existe salvação no meio de tanta coisa que eu odeio ao meu redor.

25
Fev
08

I miss you more than I say before.

Despedidas são uma constante na minha vida. Faço isso desde muito pequeno, mesmo antes de entender do que se tratava a presença de alguém que eu gostava. Pensamos que sabemos lidar com essas coisas após tanta prática. Afinal, muitos anos de experiência fazem o serviço em lhe ensinar com lidar com situações assim.

Nunca vemos a bala antes de ela nos atingir, e foi isso que aconteceu quando você foi embora.

Falei várias coisas, mas processar tudo em momentos assim sempre foi um problema pra mim. Disse mais de uma vez o quanto gosto de você. Mas pouco falei o quanto gosto de ser o seu amigo. De como ter você por perto depois desses longos meses longe, foi uma ótima sensação. O seu sorriso parecia mais doce, mas tenho certeza que sempre teve esse sabor, mais foi muito bom aprecia-lo novamente.

Eu disse que você foi a primeira ruiva que eu realmente amei, (bem, tirando a minha atração pela Gillian Anderson como Dana Scully, mas ela é loira na vida real!ahahahaah).

Então, é certo o que eu disse. A sua amizade e acima de tudo, a sua pessoa me conquistou de tal forma que eu não esperava sentir tanto a sua falta.

Quando você se foi, eu me segurei muito. Bebi mais em busca de consolo mas não tinha como ser o suficiente. Na volta para casa, foi mais forte do que eu, por que afinal, eu estava me distanciando de você da forma mais próxima possível. Agora você está do outro lado do oceano. Quando nos falamos por e-mail diminui a saudade e distância, mas ver essa mesma distância aumentar, foi demais.

Então as primeiras lágrimas desse ano foram para você my lady.

Bianca, te adoro do fundo da alma. Você é o brilho que todo ser humano precisa para ser mais do que jamais foi. Minha bela consciência em forma de uma dama de cabelos vermelhos e a pele branca como a neve.

Vou guardar todos os bons momentos que tivemos nessas férias para que a sua presença seja tão forte quanto à amizade e o amor que eu sinto por você.

Até o próximo e-mail,

Beijos do seu amigo que já está com saudades.

20
Fev
08

Feeling Junkie.

Viciado. Eu assumo. Sou um viciado.

Sentimentos fortes são como uma droga. E acredito fielmente que sou viciado.

Já vi sinais ao longo dos anos, mas ultimamente vejo o “masterplan” um tanto quanto com mais clareza.

Séculos atrás, eu sempre buscava ficar em lugares altos, (volta e meia ainda faço isso) a beira de uma queda um tanto feia. (Nota: tenho certo medo de altura, nada que me impeça de ir a lugares altos). Aquela sensação, a força invisível que luta contra sua razão. A mesma que diz na sua cabeça, “a gravidade é a coisa mais poderosa nesse universo. E ela vai estraçalhar o seu corpo se você cair da beirada dessa janela”. O misto de razão e medo, aquilo que produz o “frio na barriga”. Eu adorava. Agora amo essa sensação. Várias vezes repetia a mesma experiência, alguma delas em lugares mais seguros, como a mais recente. Lá era possível superar aquele medo. Razão dava o baseamento para o pulo, mas ainda sim, a sensação estava lá. Antes de pular, aquela vontade que movia o corpo, o jogando para frente. É uma coisa que não há como descrever. A queda você sente o corpo deslizar com o ar ao seu redor. O coração é como se gritasse desesperado, não são pulsos, são explosões. É rápido. 20 metros, o tempo, são poucos segundos. Cortar essa distância tão rápido com o corpo em queda livre. Seu corpo não está acostumado, mas nunca mais esquece.

Feche os olhos.
O choque. Cortando a água e seguindo fundo. Abra os olhos. Sem ar, mais fundo, tudo é diferente, frio e escuro. Correndo com os braços, batendo as pernas. Sem ar suficiente nos pulmões. Não segurei o grito. Era bom demais para ser seguro. Rápido.

A enorme bolha de ar que fugiu da boca é mais rápida, sinto falta dela agora que o peito arde.

Rápido.

Incrível como os segundos agora contam mais do que na queda, “tudo que sobe tem que descer”, mas quando subir de novo implica obstáculos, é bom ter força para chegar ao topo e respirar novamente.

O medo volta, mas até que não é ruim, ele ajuda a mover. Quase lá. A mão rompe a água, se segura nas pontas, raça a água ao redor, a boca suga o invisível e delicioso oxigênio para os pulmões. Somente para jogar de volta em novamente um grito de alegria. Ao olhar pra cima, a luz da Lua é mais doce, o ar frio é poesia para o pulmão e o sangue agradece pelo calor que corre novamente nele. Todos na ponte dizem que você é louco, poderia ter morrido. Verdade. Mas se eu não o fizesse, não conseguiria experimentar, sentir. Foi mais do que eu esperava, tão bom quanto imaginava.

No passado, eu deixava esse medo me domar. Afinal era sempre difícil argumentar com a razão que sempre é pessimista em casos assim. Mas escutar e escolher o sentimento é sempre um risco no final, a experiência em si será boa. Conseqüências são para serem tornadas em lembranças boas ou fatalidades, mas sempre há o prazer quando tudo dá certo. Vale o risco.

Ao passo de comparações e divergências de intensidade, acredito que essa sensação me guiou ao longo de tudo que faço. Sempre dou esse pulo, dia após dia. Muitas vezes nem ligando para as conseqüências. Eu gosto de beber, (preferências para vinhos e destiladas, Merlot, Chardonney, Absinto, nunca esquecerei!), mesmo que não seja boa, como a cerveja, mas bebo pela sensação de alcoolizado, “porre”, (Se você já leu textos anteriores, isso é até redundante), fumo também pelo prazer, independente de que isso vá me matar se abusar demais. (Não é uma preocupação, só uma teoria que ainda está para ser provada).

“Nicotine, Valium, Vicodin, Marijuana, Ecstasy and Alcohol

C-c-c-c-c-cocaine!!!!!!!!!!!”

Eu lutei. Odiei, Me encantei, me machuquei, amei, me apaixonei. E tantas outras experiências, pelas mais diferentes razões. Indiferente disso, senti cada uma delas e continuo assim até hoje, em busca dessa sensação. The rush, The High, and the Haze Daze. O que faz o sangue correr gelado ao olhar para aquela garota, queima a sua vontade louca de beijar aqueles lábios, mesmo que ela não saiba. Essa possibilidade. Esse cenário. É tudo que se quer. Tornar realidade é aquilo que me motivou várias vezes a fazer loucuras, agir como louco, (afinal sou louco), esquecer o medo, a razão, tudo valido pelo beijo.

É o que faz, o que move o corpo. A queda é deliciosa, o vento são as possibilidades correndo, o fim da queda, a conseqüência.

É essa força, sou viciado nela.

A possibilidade é a ânsia por mais. A necessidade é o apego aquilo que você deseja. A sensação é a droga que você não consegue largar e o sentimento, qualquer que seja, é o “High”.

Não gosto de estar parado. Nunca realmente estou totalmente parado. Tenho problemas de nunca conseguir parar de criar coisas na minha cabeça. Escrevo compulsivamente para poder ter uma válvula de escape. Minha mente não funciona como o “mundo real”. Não acredito no “mundo real”. Não passo muito tempo nele. Existe demais coisas aqui que não consigo pensar em parar. Esse texto já perdeu o sentido, por que não consigo parar para pensar em um final. Estou na sensação da queda, aproveitando cada maneirismo da minha cabeça e ver até onde eu consigo expressar a sensação de não parar, não conseguir parar. A música que escuto é como se fosse o ritímo que a minha mente busca (Muse – plug in baby).

My plug in baby crucifies my enemies
When I’m tired of giving, oh oh
My plug in baby in unbroken virgin realities
Is tired of living, oh

Eu adoro essa música. “Virgin realities”, conceito muito interessante. Uma realidade inexplorável, um sentimento a ser buscado a descoberta, o fogo de algo novo, a sensação de desconstruir o medo e abraçar o desconhecido. Colombo e muitos outros buscavam isso. Eu busco isso na minha mente, no “mundo real”, nos sonhos. Em qualquer lugar.

O sentir de algo tão bom que nunca faça o meu sangue parar de correr tão gelado ao ponto de me fazer sentir que o corpo está além de estar aqui, sentindo, sonhando e vivendo cada sensação.

07
Fev
08

Jizas Fucking Christ!!! ou "The holly motherfucker bible!"

Uma questão relevante para um louco consciente. Será que estou certo?

Dúvidas provenientes de uma questão existencialista profunda, derivada de um trago de cigarro em meio ao simples contemplar do tédio.

Nas palavras de uma terapeuta indignada com a fumaça:

- O que eu não consigo entender com nossas conversas é o que tanto lhe faz querer respostas?

Bem, é um tanto quanto lógico. Quando se acredita ser um tanto quanto louco por não seguir conceitos ou idéias da maioria das pessoas, e ao mesmo tempo ter certeza que a grande maioria é feita de idiotas, pessoas tendem a questionar o processo do geral.

Existe uma justiça nisso? Por que eu posso até mesmo duvidar por algum segundo, mas logo me vem provas que estou certo o resto do mundo está errado.

Arrogância? Tenha certeza que sim! Mas pense comigo em um exemplo que me veio ao conhecimento hoje e tire as suas próprias conclusões.

Uma das músicas da banda Placebo contém uma frase que se tornou quase um mantra para uma auto definição minha. “A mass of contradictions in a golden frame”. Motivo da citação? Sou um estudante de jornalismo, no entanto, não sou muito de assistir jornais falando sobre as noticias do Brasil.Até faz sentido pelo motivo que eu entrei no curso, queria formas novas e dinâmicas de treinar a minha escrita. Mas contraditório novamente quando se trata que peguei gosto pela profissão e até desejo um dia trabalhar na área. Tudo isso faz sentido no motivo em que eu tento ignorar notícias locais quando vejo hoje sobre a ultima campanha da fraternidade da nossa querida amiga igreja católica.

Em sua mensagem desse ano, eles pregam a valorização da vida. Com essa frase eu já sabia o que vinha pela frente. Contra aborto e contra pesquisas sobre células troncos. Detesto ser repetitivo, mas deixo sempre bem claro quanto odeio a maldita hierarquia da Igreja Católica. O que diabos eles tem na cabeça? Eles fazem alguma idéia do quanto eles estão regredindo o processo de preservação da vida neste planeta?

Provavelmente eles não ligam para isso. Afinal, se eles um dia forem sensatos e começarem a mudar suas regras seculares, que na época já eram ruins, e agora são inaplicáveis, eles provavelmente vão escrever o seu nome na própria sepultura.

Veja você mesmo. Muitas das pessoas que seguem os preceitos da igreja o fazem por que foram ensinados assim, só para depois entender o seu sentido e razões.

Não interessa se você provar para essas pessoas que o confessionário foi criado somente para que na idade média, as pessoas tivessem um meio de incriminar bruxas e pessoas que não pagavam dizimo para a igreja. Eles ainda acreditam que aquele homem na cabine ao lado vai ouvir os seus pecados, dizer para você rezar algumas vezes e pronto. Sua alma está limpa para entrar no céu.

Hoje a igreja já sabe que o seu papel é manter regras que ninguém segue completamente simplesmente para fazer esse papel. Criticar todos aqueles que não seguem o livro que eles não conseguem ler de forma certa, e bancar os superiores ameaçando todos de pecadores e que vão queimar no inferno se não fizerem o que eles mandam.

Em nosso querido país, onde um anta é presidente e católico. O bispo que manda as cartas por aqui disse que pretende levar o discurso para o povo (que ele controla), para que eles falem com os políticos para levar ao presidente (que é idiota e católico e não entende porra nenhuma de ciência) para impedir que o Brasil permita os estudos em células tronco.

Esse tipo de procedimento cientifico que pode curar várias enfermidades que um dia segundo o livro deles, um cara conseguia curar com as mãos. Logo, se algum cientista conseguir fazer igual, quem vai querer seguir as regras do cara lá, o Jesus “disse” para seguir? (Só uma questão, acredito no Jesus histórico e político, nem tanto nos milagres, mas creio que os seus ensinamentos foram todos distorcidos pela Bíblia e a Igreja).

Aceitando essas mudanças e que o homem pode fazer coisas como Deus, a igreja estaria atirando no próprio pé.

Afinal, a mulher não é sabia o bastante para decidir se deve ou não trazer vida para esse mundo. Se eles queimaram milhares no passado, é por que eles sabem o quanto elas não são capazes de fazer as coisas certas. Curar doenças com a vida em um embrião? Sexo é proibido por prazer e sim para procriação. Se eles quiserem utilizar embriões para curar o mundo, logo eles vão querer fazer mais sexo? NÃO PODE! (ok eu exagerei agora, mas não podia perder essa piada).

Enfim, vocês sabem onde isso vai levar não é? O que a igreja quer vai ser dito para o presidente deficiente, e logo o Brasil vai ser deficiente em mais um ramo da vanguarda mundial, logo vai ficar para trás quando uma parte do mundo começar a curar as doenças que tanto martirizam os filhos de Deus. Só por que alguns deles são estúpidos o suficiente para não admitir que existe mais de Deus no homem do que um livro mal traduzido e interpretado tem a dizer.

Olhe ao redor, veja essas pessoas andando na rua. Você acha que eles tem consciência para ver que isso tudo está errado? Ou que eles preferem seguir fazendo o que mandam por que isso é o que eles fazem de melhor?

Se você acha que tudo isso está errado. Que o homem deveria fazer tudo ao seu alcance para melhorar a sua qualidade de vida sem medo que Deus desça na Terra para dizer que estamos fazendo tudo errado. Afinal pense bem, tantas guerras estúpidas, os nazistas, bombas, e tudo isso, Deus não levantou um dedo dizendo que estamos errados.

Se você acha que eles são idiotas. Saiba que eles são bilhões. É. São muitos idiotas para pouca sobriedade mental.

Acredite. Sou um daqueles que pretende gritar para todos os lados sobre tais idiotices (pensando bem agora, esse post é basicamente isso), esperando que alguém escute. Existem muitos que pensam assim como eu. Mas com bilhões de cegos e surdos, somos os poucos (e espero que você seja como nós) que é capaz de ir contra esse senso idiota, assim como tantos outros que existem. Mesmo que no fim, sejamos só pessoas xingando todos de idiotas, e que quando o fim realmente chegar por culpa deles, seremos os primeiros a rir em suas caras falando, “Hate to say I told you so”.

Logo a questão. Você é louco e está certo? Ou é cego e se deixa guiar para o abismo?

24
Jan
08

“Mente desocupada é a oficina do Diabo”.

Nunca tinha parado para pensar nessa afirmação. Mas como não estava fazendo nada, me veio uma definição.

Provavelmente foi desenvolvida pela igreja em meados do século 17, provavelmente quando a inquisição estava pegando fogo, (literalmente). Principalmente por uma coisa. Quando se fica muito tempo sem fazer nada, o homem faz aquilo que deveria ser a sua prerrogativa. Ele pensa e questiona. E o que mais aflige uma hierarquia de poder baseada em crenças e escritos, do que dúvidas sobre os mesmos? Questionar o porquê de tudo sempre é o pior inimigo de dogmas e regras. Assim tanto como definir a realidade de algo plenamente “real”.

Tome realidade por uma definição de ponto de vista implementado por um observador. (Física básica). Mas a questão como diria a relatividade de Einstein, o tempo é relativo. Seria essa relatividade aplicada à realidade?

Não me venha com questões sociais. (Minha realidade é diferente do garoto que vive na favela). Estamos falando aqui e coisas maiores. REALIDADE. Isso que você olha ao seu redor mesmo. O que você julga como real é mesmo isso? (por favor, não me venha com papo de Matrix também, se possível pense só no quesito de analogia, mas sem nada das idéias lá empregadas. Puta filme horrível!).

Se somos feitos de átomos, (que são basicamente energia dos elétrons), e do núcleo do átomo (que já foi provado que metade do tempo não existe em nossa dimensão, mas em outro lugar que não sabemos), isso basicamente define que somos e não somos nada metade do tempo que “estamos” aqui.

Como um físico uma vez disse: “Átomos, e por conseqüência nós, somos tão concretos em nossa massa nesta dimensão quanto à definição de um pensamento”.

Sei que é muita viagem, (para algumas pessoas, não para mim), mas pense a respeito. Você é basicamente uma forma biológica moldada em energia e possibilidade.

Olhe ao seu redor. O PC que você está usando veio não só de uma pessoa, mas da mente de várias. Mesmo assim, isso levou menos de 70 anos para acontecer.

Ao passo dos últimos mil anos, o homem vem criando tudo que vem em sua cabeça e transformando em realidade, idéias que cada vez mais vem quebrando barreiras que a julgada realidade pré-concebida no passado, seja modificada.

Lembra do “Um objeto não pode estar em 2 lugares ao mesmo tempo”? Pois é, até isso já foi provado ao contrário.

Einstein criou teorias em sua mente, buscando usar a matemática para achar o plano divino de Deus. Ele não acreditava no caos. Achava que tudo tinha uma bela sinfonia escrita por Deus para a sua criação. Eu acredito no Caos, não em Deus católico, mas na Força (sim, leve em consideração Star Wars, mas pense bem no conceito de Força para essa metáfora), e que justamente no caos existe uma ordem para que tudo seja ligado, e afinado como uma bela sinfonia. Existe coisa mais poética do que tudo o que existe, ser o resultado do mais perfeito acidente? E que tudo o que vier pela frente seja conquista do que se pensa, faz e cria?

Se eu sou, crio, modifico, produzo e existo. Preencho todos os requisitos para ser considerado Deus.

FUCK! Agora eu sei por que Lúcifer foi expulso do paraíso!




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