17
Mar
14

Be Loki Or Not Be

Eu alinho a visão escondendo a luz do poste e focando no luar.

Ambos amarelos e fusão, certos de iluminar o meu pensar.

Em um estalar de dedos a fumaça leva as cinzas, faz delas os anseios,

Que sejam mais do que desejos, um pedido cheio de segredos.

A noite só tem a mim que escutar. Nela se perde os meus devaneios.

Muitos buscam felicidade.

Quase todos acham algum tipo de meio termo.

Poucos encontram satisfação.

Eu não vejo graça em nenhuma forma de ilusão.

Quero que a noite me escute.

Que suas ruas sejam o caminho que eu nunca busque.

Sua escuridão é a cor dos meus olhos. Mas eu quero mais.

Muito mais.

Só me encontro perdido em meus próprios demônios.

Tão prestativos em seus conselhos, ideias e planos.

Dizem que esses são os meus verdadeiros domínios.

Meus anjos são pensativos, falam com os olhos pois estão no coração.

Aquele que bate em rotina em busca de motivação.

E por atos duvidosos, e motivos virtuosos, clamo por um meio termo em razão.

Loucura veementemente clama ser o seu nome,

Mas acredito que essa atuação esconde o papel do destino,

Acredito que minhas ações são aquilo que estará escrito.

No livro do louco caminhando dentro da pele deste homem,

Que encara a Lua em devaneios de um sonhador a muito tempo acordado.

Que escreve cartas de dentro de um navio naufragado,

Nunca pedindo socorro e sim buscando o apoio, para levantar sozinho,

Aquele mar tortuoso, que está somente no seu caminho, nunca sendo o seu destino.

Esse ele não sabe em que ponta da bússola buscar.

Ele só sabe andar, nadar, voar e sonhar.

03
Jan
13

The Silence Uma versão.

Em um universo limitado como dos outros ele é chamado de “demônio”, por suas ideias e conhecimentos. E é com esse tipo de pessoa que me encontro nessa caverna escura, é essa criatura que me pega pelo ombro e me conta uma história.

Em um lugar distante. Distante o suficiente para a minha imaginação só possa acreditar em suas palavras e levar elas como verdade, ele me conta de uma floresta cercada pelo rio. Onde tudo fazia barulho e nunca havia silencio. Até em que ele foi longe demais, dentro daquela escura e sinistra floresta. Através de seus olhos tão pessimistas, a Lua brilhava em rubro sangue escorrendo pelas gotas da chuva vermelha, rochedos jorram pedras incontáveis se chocando com as raízes de flores venenosas. Mas não há vento nos céus, nem calmaria ou silêncio.

Então o demônio vê um homem. Com trajes e traços de uma deidade. Um Deus, aqui no meio de uma floresta. Poderoso e impetuoso com os truques da noite e neblinas da floresta para esconder a sua presença. Mas o demônio conseguia ver, e ali se escondeu ao meio da floresta para observar o Deus, sentado sobre a pedra, com a cabeça em cima das mãos calado. O demônio não podia ver antes, mas cravado na pedra exista a palavra DESOLAÇÃO.

O Deus só podia estar sentindo arrependimento por sua criação. Aquela criatura poderosa e criador de tudo finalmente havia visto o seu erro. E ali estava ela, calada, sozinha e em dor, olhando para o céu e se perguntando “onde foi que errei?”.

O demônio queria a sua atenção, ele clamou pela floresta, por uma fora a gritar contra o homem, mas ele somente tinha olhos para a sua própria desolação. O demônio viu que era incapaz de mover o Deus.

Então ele cresceu em raiva, e ele amaldiçoou, os céus, o vento, a Lua, a floresta e tudo que exista. Nuvens pararam, os raios não brilharam e o que era desolação virou SILÊNCIO.

Logo após o Deus levantou em sua face com horror. Ele tentou gritar mas o silêncio havia dominado tudo. Em total e completa noção de perdido, ele buscou salvação e desapareceu da floresta.

E por mais que vários contos e histórias ao redor do espaço e tempo deste planeta, nunca havia escutado um conto tão primoroso como esse. O Demônio sorriu com a minha expressão. Ele sabia. Sabia o que vim descobrir depois, não pude sorrir com ele. Havia chegado ao ponto de descrença ao entender que ele havia ganhado de Deus, e todos nós estávamos perdidos.

Sem o meu sorriso o Demônio me julgou indigno e me amaldiçoou com o silêncio voltando para o canto escuro da caverna. Só me restava olhar o escuro e saber o que se encontrava lá, olhando onde estariam seus olhos. Com o total medo de olhar para outro lado e encontrar o fim da minha história.

Esse texto foi feito como forma de adaptar a fabula The Silence de Edgar Alan Poe, que pode ser lida aqui nesse link:
http://classiclit.about.com/library/bl-etexts/eapoe/bl-eapoe-silence.htm

30
Jul
12

Lume

Ele tem uma voz.
Muitas pessoas não fazem ideia disso. Mas é verdade. Eu consigo escutar o tempo todo.
Até mesmo quando não está presente. Seja na hora que meu corpo esteja completamente parado como agora, quando eu tento com todas as forças ignorar o chamado. Eu posso sentir aquele vento tomando conta de minhas veias. É mais forte que o sangue, faz o coração ir mais rápido. Só preciso imaginar ele.
Como se espalha e modifica tudo que toca. O poder. A total falta de controle.
Tudo que eu sempre quis.
Mas eu preciso parecer normal. Preciso parecer surdo para a voz. Ninguém pode saber a minha verdadeira identidade. Ninguém iria entender. Dizem que é perigoso, não é normal.
Então eu minto o tempo todo. Faço um rosto igual ao deles. Sem vida. Somente caminhando um atrás do outro. Formigas na colônia. Soldados sem alma. Não gosto de mentir. Não gosto de mentir. Não quer dizer que eu sinta remorso ao fazê-lo. Eu quero mais do que os outros. Não quero só caminhar, quero correr e mudar as coisas ao meu redor. Pegar o relógio e estraçalhar cada peça, cada engrenagem. Fazer tudo parar por um momento. Um momento glorioso onde todas as vozes fazem o mesmo som, o som que rasga a vida e o comum. O caos em sua forma mais pura.
Mas hoje será diferente. Minha alma não será apagada por papeis e ordens sem rosto. Sangue e suor já saíram de meu corpo por tempo o suficiente, e não foi por que estou vivendo, mas por que essa rotina está me matando.
Hoje eu mato a besta que escraviza as vidas dessas pessoas incapazes ao mesmo redor. Se passam meses, anos e nenhum deles teve coragem de matar o criatura que segura suas correntes. Estão acostumados demais com o peso da coleira sobre seus ombros e finge não sentir a dificuldade para respirar. Hoje eu vou seguir o que a voz me diz. Vou ser sádico e feroz, tudo em nome do bem maior. Vou começar pela cabeça e em seguida todos os outros pútridos membros.
O chefe. Não mais, eu digo. O relógio conta 30 segundos para as 6 da tarde. Novamente ele caminha calmo com um sorriso daqueles que detém o poder e abusam do seu sabor. Ele encara a mulher que está a 3 cubículos do meu. O seu olhar lhe penetra como uma faca, e ela em nome da sobrevivência, lhe abre um sorriso. Ele passa, e seu rosto morre, refletindo o que sente por dentro. 1 mês atrás ela estava 3 cubículos ao meu lado. Hoje ela está ao lado de sua sala. Bastou uma noite de trabalho extra com ele. Pessoas fazem coisas absurdas em nome do poder. E ele sai de sua sala todo dia, 30 segundos antes dos empregados. Mas hoje isso muda aos 15 segundos. É o tempo que ele leva para chegar a minha cela e ignora a minha existência… uma ultima vez.
Não me toma muita coragem. Na verdade foi liberador. Assim que me levando, um grito de pura adrenalina sai dos meus pulmões. Eles queimam, me fazem andar sem sentir os pés. Ele finalmente me olha nos olhos após todos esses anos. Eles tem medo. E logo em seguida se fecham. Eu sinto a minha mão. A dor mais saborosa que já senti. E em seguida o calor molhado do vermelho entre os dedos. O olhar de pânico nos olhos dele enquanto a boca some em um rio escorrendo pelo nariz quebrado.
A voz se torna branca. Eu vejo luz. E faço de mim o instrumento de sua vontade. Eu sinto palavras saindo da minha boca, mas somente escuto a voz. E a minha felicidade correndo pelas veias. Todos correm, eles tem medo da mudança, medo de mim. Eles deveriam. Olho novamente para a criatura no chão que procura algum resquício de dignidade e falo o mais suavemente possível:
Se eu chegar ao topo antes que você chegue ao chão, farei questão que seja longo e doloroso. Ele toma o seu tempo e não perdoa nada.
Eu saio andando e ele se arrasca como a lesma que sempre foi, só era cego e não sabia que rastejava tão próximo do chão. Ninguém do escritório tentou me impedir, e muito menos salva-lo. Eu havia tomado o seu poder. E eu ia mostrar a todos o que eu faço com o poder.
Chego ao elevador e meu rosto começa a perder a sensação. Não sinto mais o sorriso, mas sei que ele está no meu rosto. A porta abre e a sala de manutenção está a minha espera. Tudo que eu preciso são algumas senhas, apertar alguns botões e já começo a escutar o ruído de 42 litros de querosene se espalhando pelo sistema de segurança contra incêndio.
32 degraus e a porta para o céu se abre. E eu respiro o ar mais puro que já senti nessa cidade podre. O som do grito de meus “colegas” tomam as ruas. Eles não entendem o que eu quero dizer com meus atos. Nem poderiam. Simplesmente estou sendo verdadeiro a voz que me faz sentir vivo.
Então escuto o beep. 10 segundos. A voz toma a minha cabeça. Meus olhos ardem e minhas mãos tremem.
9 e abro os braços em gritos que ecoam as lagrimas de felicidade.
8 inalo o ar novamente e minha mente fica clara.
7 As luzes da cidade se tornam estrelas e o céu parece me abraçar.
6 “Eu estou fazendo isso! Você pode me ouvir?”
5 “Eu estou tomando o controle, isso sou eu! Você não pode negar!”
4 “Eu quebrei a regra e estou trazendo a mudança”
3 “Eu lhe desafio agora! ME FAÇA PARAR!”
2 “Eu sabia seu covarde! Eu ganhei!”
1 “Esse sou eu tomando o seu lugar”.
Um flash. O som quebra janelas e ele engole como o vento mais doce. Devorando o comum, renovando o tom, trazendo o mais simples conceito de transformação. Eu estou no topo vendo o espetáculo da canção que escrevi. Essa é a minha sinfonia. O mais doce conceito, o sedutor delírio de um sonho.
A primeira gota no deserto da apatia.
Eu sou aquele que começa o fogo.

10
Ago
09

Evergreen

No momento que fecho os olhos me resolvo de que tudo ao redor está ali só para me tirar da realidade. Sozinho nesse mundo escuro, consigo ver as cores que realmente fazem parte do horizonte, que se estende além dos limites e linhas. Além do concreto, das ruas, árvores e pessoas.

Voz e violão em um mar de espaços vazios. Os metais não são tocados por pessoas e sim por dores. As linhas do baixo soam como o barulho do mar. Violento e repetitivo fazendo companhia para as batidas da bateria, marcando cada momento que o fogo consumiu em segundos, minutos e sensações de total falta de medidas de tempo. Em uma falta de ordem, de razão, o som repercute as linhas que criaram tudo que se clama na canção, em uma voz rouca como um uivo sombrio. Um chamado para algo bom atravessando o mistério como faróis de um cadilac 67. Quente, produzindo danças na fumaça iluminada em busca de algo em seu caminho. As luzes são correntes que puxam o desejo para frente em meio ao escuro seguindo a estrada para qualquer que seja o seu destino.

A estrada ecoa versos sobre a dor e a alegria de tantos pneus queimados ao longo de todos esses anos. O motorista é habilidoso, cansado da longa viagem, ele luta cada vez mais contra os maus e a loucura de não saber quanta gasolina ainda lhe resta ou se chegará ao lugar que ele ainda não conhece, mas não cansa de cantar e dirigir em direção daquilo que ele acredita.

19
Maio
09

Walk Believer Walk

Era um terno preto, maltratado pelo tempo e sapatos cinza. Sem muita ligação com o conjunto completo. A estrada de terra deserta também não fazia parte dos planos. Nas costas uma guitarra semi usada.
Ao sentar, não levou muito tempo para um homem chegar perguntando se eu sabia tocar. Respondi a verdade negando qualquer habilidade. Ele pede para olhar a peça, fala que ela está desafinada, roda o metal e me entrega pedindo para tentar tocar.
Então o faço e por mágica as notas soam boas e parecem com música. Ele some logo em seguida e fico na estrada tocando até o Sol sumir no horizonte.
Meio dia e meia, abro os olhos e vejo o pôster no teto do meu quarto. Não era real. Exceto pela guitarra ao lado de minha cama, que não sei tocar ainda. Por impulso pego ela nas mãos. Invertida propositalmente para que eu sendo canhoto possa tocar, procuro acertar notas que nem mesmo sei o que significam. Procuro escutar o som que meus movimentos fazem na corda esperando que elas façam música. Uma boa música. É tudo que eu quero.
E ali, naquele exato momento em que eu achei uma melodia, percebi que o sonho era uma fábula sobre a minha vida. Esse é o argumento que sigo desde que tenho uma noção exata do que sou. A estrada a seguir, o Destino tentando mostrar o que fazer e a interminável vontade de criar algo a partir dali, sozinho em algum canto do lugar nenhum. Assim como o som não pode ser considerado música para quem está do lado de fora, os sons provocam reações, reverberações. Elas simplesmente fazem. Assim como esse texto, o sentido em si é perdido em sentimentos de que isso é certo. Isso é meu e preciso fazer.
A estrada pode marcar 26 KM em direção para algum lugar, mas eu não sinto isso. Os sapatos em cinza estão gastos além dessa distância. Eu posso muito bem caminhar mais longe na minha cabeça do que em qualquer outro lugar. Esse pode ser o problema, o que pode me fazer precisar de alguém para apontar a estrada e andar. Assim como também pode ser a única saída para que a estrada leve para algum destino. As pegadas se perdem mesmo que a estrada seja reta. Eu não gosto de olhar para trás, mas cada passo foi longo o suficiente para não ser esquecido tão fácil. Dos dolorosos aos momentos em que corri. Pela terra na mão, usada para não cair ou para refletir sobre o chão da caminhada.
No sonho, acordei no momento em que estava parado tocando a guitarra. Talvez seja isso que esteja fazendo agora. Escrevendo o momento em si que o  sonho era uma música, aqui se expressa em palavras. A razão para isso foge ao sentido da razão em si, já que só escrevo o que a música canta.
Quando encontrei com Destino no sonho, ele vinha do lugar para onde certamente estou indo. Se estou perto ou não de lá, não perguntei. O importante é que agora sei que a “música” está sendo escrita aqui e agora. E eu não pretendo parar de caminhar até chegar lá.

19
Jan
09

“Preso por todo o peso de todas as palavras que ele tenta dizer”.

Tanto que queria poder dizer e tanto mais fazer.

Não é a inabilidade que me afeta. Na verdade existem mais coisas que eu posso fazer do que textos ou palavras para demarcar. A questão é as possibilidades. Cada ação implicaria em ondas e mais ondas de reação. E lidar com isso requer uma incrível criatividade em se entender o futuro.

Eu ajo por instinto. Por mais categoricamente calculista que sou, cada ato que aplico é movido pelo momento. Minha mente é um incrível processador de possibilidades que chega a beira do curto circuito pelo fluxo de variantes. Não importa quantas vezes eu quebre a cara, a consciência nunca toma partido de decisões importantes. Sua função arbitraria é meramente de observador em todo o jogo em que se aplica sentimentos como frustrações, inércia, ansiedade, imaginação e possibilidades.

Para mim, “possibilidades” é um sentimento. Toda vez que avanço em novas direções no mais caótico plano da vida, eu traço em arquiteturais “fundos de razão” o campo das possibilidades. Como a minha ação atingira o sentido do que desejo? Ou, qual será a reação a partir de minhas palavras empregadas no fazer do momento?

É sobre o a “grande pintura”. O quadro completo de todas as reações aos meus movimentos. O criar de linhas para essas pinturas, o momento certo para cada cor e traço do destino a ser desenhado, colorido e então apreciado.

Filosoficamente falando, eu gosto de me ver, em conjunto erradico com tantas outras definições e habilidades, como um futurista. Poucas coisas me motivam mais do que o que virá logo em seguida do momento de agora. Que barreiras ou campos serão explorados dentro de cada ação de cada participante deste plano agora? Em vias mais imediatas, qual será o propósito final deste texto? Em cada palavra correndo como flashes em minha mente, eu chego a um ponto de tantas variantes das razões apresentadas a mim que vagam em uma nebulosa de estrelas em constante movimento seqüencial rasgando em luz os locais mais obscuros do nunca antes exposto.

Cada questão pertinente ao momento implica em citar aqui o que desejo. Embora que seja agora o desejo de tentar entender os momentos seguintes de atos que ainda não foram totalmente construídos ou teorizados.

É o som que corre os meus ouvidos, levando a mente o desejo de algo a muito esperado. É a vontade que mover pistões de razões há muito tempo deixadas de lado. O sentimento de querer mais. A vontade absurda de gritar por propósito. O clamar pelo desejo de agarrar os sentidos e razões que não são minhas e moldar a minha vontade. É o sonho a muito desejando ser realidade.

A crível realidade que a minha imaginação tece em uma possibilidade. O calor que corre no sangue ao colocar em teorias e imagens da imaginação o desejo em movimento, em sentido e propósito.

O preço que pode ser alto demais sendo cobrado por idéias de medo e perda de algo ainda não adquirido. O frio amargo de memórias dolorosas de batalhas perdidas. As possibilidades conflitantes do desejo. As idéias de que o errado é algo poderoso demais, o suficiente para manter o desejo em animação suspensa.

A frustração incalculável de não poder resolver todos os problemas sozinho. Que não há controle sobre as respostas que busco. A adrenalina que corre nas veias da ação de colocar os sonhos em movimento. A aflição de fazer tudo dar certo. Ver além do que está acontecendo agora e criar algo bom para o momento seguinte. Que a próxima frase tenha mais sentidos escondidos dentro de suas linhas do que as lógicas dimensionais das palavras podem transmitir mesmo em suas mais belas interpretações.

É construir momentos. É ser a ação. É poder. O poder de fazer acontecer tudo aquilo que se deseja.

A juvenil vontade de controlar e fazer o que a imaginação acredita como ser belo.

É o sonho que crio em linhas e escrevo com desejos.

O incondicional,

Amor.

Desejo.

Aflição.

Pelo amanhã.

30
Nov
08

Xibalba.

Inspirado no filme “Fonte da Vida”.

Sempre que a questão sobre acreditar no destino cai sobre mim, eu respondo de uma forma pragmática. “Acredito em destino, mas que ele é feito por todas as minhas escolhas. Se elas são minhas e serão feitas de qualquer jeito, isso não deixa de ser destino”.

De qualquer forma, a razão do por que ainda me pego em momentos repetidos, onde fantasmas do passado sempre aparecem quando estou certo que a terapia havia sido um sucesso, volta a me perseguir nas madrugadas acordado.

“Nada está realmente morto enquanto ainda está vivo”. A medíocre redundância da frase só ganha teores de verdade se tratando de sentimentos. Essas malditas sensações físicas de feromônios agindo no corpo com relapsos nervosos elétricos de memória e subconsciente que ativam o melhor e o pior em nós.

Eu sofri, escrevi a respeito e muitas dessas linhas estão por aqui, e ainda assim, mesmo sabendo que tudo isso vai me levar ao início do ciclo eu sinto aquele frio na espinha novamente. Como sendo o ultimo vestígio da razão abandonando o meu corpo, entrando em colapso pela gravidade. O cérebro se perde na memória daquela sensação antiga e tão familiar. A batalha da razão se torna um épico desesperado e de final trágico para o herói que por tanto tempo se manteve de pé diante de todo um exercito incontrolável de incoerentes, relapsos e fantasiosos sentimentos. No fundo ele sabia, sua luta era só um grande espetáculo, uma lenda que seria contada tempos mais tarde. De como a razão é importante. De como algo se manteve contra o inevitável.

Minha razão e a sua história são o mito que se repetirá no futuro. O que sei. Que não importa o quanto eu lute, eu sei exatamente como vai ser o meu fim.

Será uma luta como nunca houve outra. Não será um exército no meu caminho na batalha do horizonte, mas sim um divino duelo. Contra mim, a mais letal de todas as armas vai ser impiedosa em seus golpes. Mesmo sabendo do meu destino, vou reagir com todas as minhas armas. A armadura eu jogarei no chão, a batalha é pessoal demais para se apegar a subterfúgios de segurança. Serão batalhas em cada golpe e seguro de minhas habilidades montarei estratégias para que a luta dure o máximo possível. Com o passar dos dias eu estarei cansado e delirando pelo esforço, enquanto do outro lado não haverá sinais a não ser de glória. O suor em minha testa será como gotas de vidro que ficarão geladas ao ponto que me aproximo do chão pela vertigem de saber que esse é o momento. Não há mais luta.

No horizonte já enxergarei maravilhas lúdicas. Lá, sorrindo em loucura, agarrando o chão e olhando para o firmamento. Irei encarar a Morte e não perguntarei o porquê, não há contra o que lutar, é o meu destino. Eu sei que no fim, eu serei morto pela a afiada paixão e beleza de uma mulher e pelo amor que a ela dei.




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